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Anvisa proíbe Artro100 e recolhe lotes de creatina

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Consumidor deve suspender o Artro100 e verificar o lote da creatina Creagummy antes de continuar o uso

Consumidores que possuem o suplemento Artro100 devem interromper o uso do produto. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou a apreensão de todas as unidades e proibiu a fabricação, a venda, a distribuição, a propaganda e o consumo em todo o país.

A Anvisa também suspendeu três lotes da creatina Creagummy em gomas mastigáveis, sabor uva verde, produzida pela IDN Labs. Nesse segundo caso, a medida não atinge indistintamente todas as creatinas ou todos os produtos da empresa. O consumidor precisa conferir o número impresso na embalagem.

As duas decisões foram publicadas no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 25 de junho, e entraram em vigor na mesma data.

Artro100 tem origem e composição desconhecidas

A Resolução-RE nº 2.508/2026 registra o produto com a grafia “ARTR0100” e determina a apreensão de todos os lotes.

Na divulgação ao público, o suplemento é identificado como Artro100.

A Anvisa informa que não conseguiu determinar a empresa fabricante, o CNPJ, a origem nem a composição do produto.

Essa ausência impede saber com segurança:

  • onde o suplemento foi fabricado;
  • quais ingredientes foram utilizados;
  • em que quantidades aparecem;
  • quais controles de qualidade foram realizados;
  • se existem contaminantes;
  • se a composição corresponde ao rótulo;
  • quem deve responder tecnicamente pela fabricação.

Por não haver limitação a um lote específico, a proibição alcança qualquer unidade comercializada com essa identificação.

Lojas físicas, plataformas digitais, distribuidores e anunciantes não podem manter o produto à venda ou continuar divulgando suas supostas propriedades.

Propaganda atribuía efeitos de tratamento ao produto

A fiscalização também identificou propagandas com alegações terapêuticas não permitidas para alimentos.

Entre as promessas mencionadas na resolução estão combate à inflamação crônica, fortalecimento de cartilagens e articulações, recuperação da mobilidade e melhora de desconfortos durante movimentos.

Essas afirmações podem induzir o consumidor a interpretar o suplemento como substituto de diagnóstico, medicamento, fisioterapia ou acompanhamento profissional.

Suplementos alimentares não são medicamentos. Eles podem complementar a alimentação com nutrientes ou substâncias autorizadas, mas não podem ser anunciados como produtos destinados a tratar, prevenir ou curar doenças.

Mesmo quando um ingrediente possui estudos sobre determinada função, a propaganda comercial precisa respeitar as alegações previamente autorizadas pela legislação sanitária.

Expressões como “combate inflamações”, “elimina dores” ou “recupera articulações” ultrapassam a função permitida para um alimento.

Consumidor não deve usar unidades do Artro100

Quem possui o Artro100 deve suspender o consumo, mesmo que a embalagem esteja fechada e não apresente alteração visível.

A aparência normal não comprova que o conteúdo seja seguro.

O consumidor deve:

  • guardar a embalagem e o comprovante de compra;
  • registrar fotografias do rótulo, lote e anunciante;
  • entrar em contato com o estabelecimento ou plataforma onde ocorreu a compra;
  • solicitar informações sobre devolução e reembolso;
  • não repassar o produto a outra pessoa;
  • comunicar a venda à Vigilância Sanitária ou à Anvisa.

O suplemento também não deve ser descartado de forma que possa ser recolhido e utilizado por terceiros.

Caso a pessoa tenha consumido o produto e apresente reação inesperada, deve procurar atendimento de saúde e informar o nome do suplemento, o período de uso e, quando possível, levar a embalagem.

A resolução não descreve sintomas específicos associados ao Artro100. Como a composição é desconhecida, não é possível antecipar quais reações poderiam ocorrer.

Três lotes da Creagummy foram suspensos

A segunda medida atinge a creatina em gomas mastigáveis sabor uva verde da marca Creagummy.

Os lotes suspensos são:

  • 0061.02.2026
  • 0367.11.2025
  • 0012.01.2026

O número do lote costuma aparecer próximo à data de fabricação ou de validade, no rótulo, na tampa ou na parte inferior da embalagem.

O consumidor deve comparar toda a sequência de números e pontos. Uma diferença em qualquer trecho indica outro lote.

A Resolução-RE nº 2.509/2026 suspende a comercialização, a distribuição, a propaganda e o uso dos três lotes identificados.

A medida publicada não representa proibição automática de todas as creatinas em gomas existentes no mercado nem de todos os produtos fabricados pela IDN Labs.

Empresa comunicou o recolhimento à Anvisa

O recolhimento da Creagummy foi iniciado voluntariamente pela empresa e posteriormente formalizado pela Anvisa.

A expressão “voluntário” indica que o responsável pelo produto comunicou a iniciativa à autoridade sanitária. Isso não significa que comerciantes ou consumidores possam escolher livremente se cumprem a medida.

Depois da publicação da resolução, os lotes não podem continuar à venda, ser distribuídos, divulgados ou consumidos.

A empresa, os distribuidores e os estabelecimentos que receberam o suplemento precisam localizar as unidades afetadas e retirá-las do mercado.

O consumidor que encontrar um dos lotes deve suspender o uso e entrar em contato com o vendedor ou com os canais oficiais da fabricante para receber orientação sobre devolução.

Teor de creatina estava fora dos limites

A empresa identificou uma especificação incompatível com os limites estabelecidos para o teor de creatina.

A resolução não informa se a quantidade encontrada estava acima ou abaixo da declarada ou do intervalo permitido.

Também não apresenta o resultado laboratorial, a diferença percentual nem a quantidade medida por porção.

Sem esses dados, não é correto afirmar que o produto possuía creatina em excesso ou quantidade inferior à informada.

A divergência compromete a confiança na composição e impede que o consumidor saiba quanto da substância está ingerindo em cada porção.

Isso é particularmente relevante porque o uso costuma ser planejado a partir de uma quantidade diária indicada no rótulo ou recomendada por profissional de saúde.

Rótulos apresentavam outras irregularidades

A medida também menciona:

  • alegações não autorizadas;
  • divergências documentais sobre o fabricante;
  • problemas de rotulagem;
  • inconformidades regulatórias;
  • comprometimento da demonstração de segurança.

A notificação sanitária vinculada ao suplemento foi cancelada.

A notificação é o procedimento pelo qual determinados alimentos e suplementos são informados à Anvisa antes da comercialização. O número deve permitir a consulta das informações declaradas pelo responsável.

O cancelamento significa que o produto não pode continuar sendo comercializado regularmente com base naquela notificação.

A resolução de recolhimento identifica diretamente os três lotes que devem ser retirados do mercado.

Como agir ao encontrar um lote suspenso

O consumidor deve conferir a embalagem antes de consumir a creatina.

Caso encontre um dos três lotes, a orientação é:

  1. interromper o uso;
  2. conservar o produto e a embalagem;
  3. fotografar o lote e a validade;
  4. procurar a loja, plataforma ou fabricante;
  5. solicitar instruções para devolução;
  6. guardar comprovantes e protocolos de atendimento.

A pessoa não deve abrir a embalagem para comparar cheiro, sabor ou consistência. Uma alteração no teor de creatina ou nos documentos regulatórios não pode ser identificada visualmente.

Também não é recomendável misturar o produto com outro suplemento ou manter o consumo reduzindo o número de gomas.

A suspensão alcança o uso integral dos lotes identificados.

Reações podem ser notificadas

Consumidores e profissionais de saúde podem comunicar à Anvisa eventos adversos e queixas técnicas relacionados a alimentos e suplementos.

Evento adverso é uma reação ou problema de saúde percebido depois do consumo.

Queixa técnica envolve aspectos como divergência no rótulo, embalagem defeituosa, alteração de aparência, ausência de identificação, suspeita de falsificação ou problema de qualidade.

A notificação não exige que o consumidor prove previamente que o suplemento provocou a reação. O relato serve para que a vigilância sanitária identifique padrões e avalie a necessidade de novas medidas.

Em caso de sintomas intensos, dificuldade para respirar, alteração de consciência ou outro quadro de urgência, a prioridade deve ser buscar atendimento médico.

Como verificar se um suplemento está regularizado

O consumidor pode consultar alimentos e suplementos nos sistemas da Anvisa.

Produtos regularizados por registro devem apresentar no rótulo a expressão “Alimento registrado na Anvisa”, seguida do número correspondente.

Os produtos submetidos à notificação devem informar “Alimento notificado na Anvisa” e o número do processo.

Esse código pode ser pesquisado no portal de consultas.

O resultado ativo indica que o registro ou a notificação está vigente. O resultado inativo indica que a regularização não está válida.

A conferência também deve observar se os dados do sistema correspondem ao produto comprado, incluindo:

  • nome;
  • fabricante;
  • apresentação;
  • categoria;
  • número do processo;
  • situação da regularização.

Um número verdadeiro utilizado em embalagem de outro produto não comprova regularidade.

Venda em grande plataforma não garante autorização

Produtos irregulares podem aparecer em redes sociais, sites próprios, marketplaces e até vitrines de grandes empresas.

Algumas plataformas funcionam apenas como intermediárias para vendedores independentes.

A presença em um site conhecido não substitui a consulta à Anvisa nem garante que o fabricante tenha sido identificado.

Antes da compra, o consumidor deve desconfiar de suplementos que:

  • prometem tratar várias doenças;
  • garantem resultado rápido;
  • usam depoimentos como prova de eficácia;
  • não apresentam fabricante e endereço;
  • não informam lote ou validade;
  • declaram aprovação da Anvisa sem número consultável;
  • são divulgados como substitutos de medicamentos;
  • utilizam expressões como cura, tratamento ou resultado garantido.

A propaganda pode ser retirada depois da fiscalização, mas capturas de tela, comprovantes e mensagens ajudam a identificar o responsável pela venda.

Medidas diferentes exigem respostas diferentes

As duas resoluções não devem ser tratadas como uma única proibição genérica de suplementos.

No Artro100, a origem e a composição não foram identificadas. A Anvisa proibiu todos os lotes e todas as etapas de fabricação, divulgação e comercialização.

Na Creagummy, existe fabricante identificado e o recolhimento foi comunicado pela própria empresa. A suspensão publicada alcança três lotes específicos, embora a notificação sanitária do produto também tenha sido cancelada.

Para o consumidor, a resposta é objetiva.

O Artro100 não deve ser usado em nenhuma apresentação ou lote. Na creatina em gomas, é necessário conferir a sequência impressa na embalagem e interromper o consumo se ela corresponder a um dos lotes suspensos.

A regularidade de um suplemento não pode ser avaliada apenas pela aparência da embalagem ou pelas promessas do anúncio. Origem identificada, composição verificável, rotulagem correta e autorização sanitária são condições básicas para que o consumidor saiba o que está ingerindo.

Relacionadas, fontes e documentos:

Anvisa mantém suspensão de lotes antigos da Ypê (Fonte em Foco)
Anvisa libera 1ª semaglutida sintética no Brasil (Fonte em Foco)
Alergias exigem diagnóstico correto (Fonte em Foco)
SUS terá nova terapia para leucemia mieloide aguda (Fonte em Foco)
Resolução-RE nº 2.508 de 2026 sobre o Artro100 (Gov.br)
– Resolução-RE nº 2.509 de 2026 sobre a Creagummy (RESOLUÇÃO-RE nº 2.509)
Anvisa proíbe suplemento irregular e suspende lotes de creatina (Agência Brasil)

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