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Policlínica de Taguatinga amplia tratamento de alergias

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Teste cutâneo ajuda a definir cuidados de pacientes da Região Sudoeste

Pacientes da rede pública com suspeita de alergias passaram a contar com maior oferta de exames e tratamento especializado na Policlínica de Taguatinga. A unidade implantou recentemente o prick test e ampliou o fluxo da imunoterapia, utilizada em casos selecionados de doenças alérgicas.

O atendimento beneficia moradores de Águas Claras, Água Quente, Recanto das Emas, Samambaia, Taguatinga e Vicente Pires, regiões que integram a Região de Saúde Sudoeste.

O acesso não ocorre por demanda espontânea. O paciente precisa procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde, onde será avaliado e, quando houver indicação, encaminhado para consulta com alergista pelo sistema de regulação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Prick test ajuda a identificar sensibilizações

O prick test, também chamado de teste cutâneo de puntura, é utilizado para investigar reações alérgicas imediatas.

Durante o procedimento, pequenas gotas de extratos alergênicos são colocadas sobre a pele, geralmente no antebraço. Em seguida, o profissional realiza pequenas punturas superficiais para permitir o contato das substâncias com as camadas mais externas da pele.

Entre os alérgenos avaliados podem estar ácaros, fungos, pelos de animais, pólens e outras substâncias, conforme a história clínica do paciente.

Depois de alguns minutos, o especialista observa se houve formação de uma pápula, pequena elevação avermelhada semelhante a uma picada de inseto. O tamanho da reação é comparado com controles positivo e negativo utilizados durante o exame.

Um resultado positivo demonstra que o organismo produziu uma resposta àquela substância, mas não confirma sozinho que ela seja responsável pelos sintomas apresentados.

A conclusão depende da análise conjunta da história do paciente, do exame físico, da intensidade das reações e, quando necessário, de outros exames.

Medicamentos podem interferir no resultado

Alguns remédios, especialmente determinados antialérgicos, podem reduzir a reação da pele e comprometer a interpretação do teste.

O paciente deve informar ao profissional todos os medicamentos que utiliza antes da realização do exame.

A suspensão de qualquer tratamento só deve ocorrer por orientação médica. Interromper remédios por conta própria pode provocar agravamento de sintomas ou outros riscos.

O prick test também precisa ser realizado em ambiente preparado para reconhecer e tratar eventuais reações adversas, embora manifestações graves sejam incomuns.

Adolescente busca alívio para dermatite atópica

Sofia Moraes, de 12 anos, passou pelo exame durante o acompanhamento realizado na policlínica.

Ela convive com dermatite atópica, doença inflamatória crônica que provoca ressecamento, coceira intensa e lesões recorrentes na pele.

A condição possui componentes genéticos e ambientais e pode variar entre períodos de melhora e crises. Não é contagiosa.

A mãe da adolescente, Ana Rosa Moraes, de 44 anos, relata que os sintomas prejudicam o sono, o banho e a convivência social da filha.

“Queremos que a Sofia possa tomar banho sem chorar. Às vezes, ela não consegue dormir porque a pele coça demais”, conta.

Além do desconforto físico, a adolescente enfrenta comentários ofensivos relacionados às lesões.

“Ela já escuta frases ruins e sofre bullying por causa da inflamação”, afirma a mãe.

O tratamento da dermatite atópica pode incluir hidratação frequente da pele, medicamentos tópicos, controle de fatores agravantes e outras terapias definidas conforme a idade e a gravidade da doença.

A identificação de sensibilizações alérgicas pode auxiliar alguns pacientes, mas o prick test não substitui a avaliação dermatológica nem significa que toda dermatite seja provocada por uma alergia específica.

Imunoterapia é indicada para casos selecionados

Depois da consulta e da investigação, alguns pacientes podem receber indicação de imunoterapia específica com alérgenos.

O tratamento expõe o organismo, de forma gradual e controlada, às substâncias relacionadas à reação alérgica. O objetivo é modificar a resposta imunológica e reduzir a sensibilidade ao longo do tempo.

A alergista Roshni Babulal considera a imunoterapia uma ferramenta importante principalmente para determinados casos de rinite alérgica e asma.

“Temos visto uma melhora muito grande nas pessoas”, relata.

A indicação depende de critérios como confirmação da sensibilização, relação entre o alérgeno e os sintomas, intensidade da doença, resposta aos medicamentos e possibilidade de evitar a substância.

Ter um prick test positivo não significa que o paciente necessariamente precisará de imunoterapia.

Tratamento pode durar vários anos

A imunoterapia costuma ser dividida em uma fase inicial, com aumento gradual das doses, e uma fase de manutenção.

A duração varia conforme o tipo de alergia, a resposta clínica e o esquema adotado. Em tratamentos com alérgenos inaláveis, o acompanhamento pode se estender por cerca de três anos. Alguns protocolos podem durar mais.

Como são necessárias aplicações periódicas, o compromisso do paciente e da família é essencial para manter a regularidade.

A policlínica registra entre mil e 1,3 mil atendimentos mensais relacionados à imunoterapia.

Esse número representa procedimentos ou comparecimentos realizados no serviço e não necessariamente a quantidade de pessoas diferentes acompanhadas no mês, pois um mesmo paciente pode retornar diversas vezes.

Imunoterapia exige acompanhamento médico

A expressão “vacina para alergia” é utilizada de forma popular, mas o tratamento não possui a mesma finalidade das vacinas aplicadas para prevenir doenças infecciosas.

A imunoterapia utiliza extratos de alérgenos e deve ser prescrita, planejada e supervisionada por médico.

Podem ocorrer reações no local da aplicação, como vermelhidão, coceira e inchaço. Em situações menos frequentes, podem surgir sintomas respiratórios, urticária ou reações sistêmicas.

Por esse motivo, a avaliação clínica antes das aplicações e a estrutura para atendimento de intercorrências fazem parte das medidas de segurança.

Pacientes com asma precisam estar com a doença controlada antes de iniciar ou receber determinadas doses.

Tratamento melhora rotina de criança

Ana Luiza Magalhães, de 11 anos, foi encaminhada para imunoterapia após investigação clínica e realização de testes.

A mãe, Leidiana Magalhães, de 42 anos, afirma ter observado melhora durante o acompanhamento.

“Consigo pegar tudo pela policlínica, medicações e vacinas. A minha filha está bem melhor”, relata.

Segundo ela, as consultas também ajudaram a família a compreender outros tipos de sensibilização e a adotar cuidados mais adequados.

A resposta à imunoterapia varia de uma pessoa para outra. Alguns pacientes apresentam redução importante dos sintomas e da necessidade de medicamentos, enquanto outros podem ter benefício parcial ou precisar de ajustes.

O tratamento não deve ser apresentado como cura garantida.

Rinite pode prejudicar sono e aprendizado

Embora geralmente não seja uma doença fatal, a rinite alérgica pode provocar impacto relevante no cotidiano.

Congestão nasal, espirros, coceira e coriza podem interferir no sono, na disposição, na concentração e no desempenho escolar ou profissional.

“Você não dorme direito, não descansa, acorda indisposto e não aprende direito o que precisa aprender”, explica Roshni Babulal.

A rinite também pode coexistir com asma, conjuntivite e dermatite atópica.

Já a sinusite possui diferentes causas e não é diagnosticada apenas pelo prick test. A avaliação médica precisa distinguir inflamações alérgicas, infecções, alterações anatômicas e outras condições que podem produzir sintomas semelhantes.

Atendimento começa na unidade básica

O primeiro passo para acessar o serviço é procurar a UBS responsável pelo endereço de residência.

A equipe da atenção primária avalia os sintomas, verifica os tratamentos já utilizados e decide se há necessidade de consulta especializada.

Quando o encaminhamento é aceito pela regulação, o paciente recebe data e local para atendimento na policlínica.

Depois da consulta com o alergista, podem ser solicitados o prick test, exames complementares ou acompanhamento com outras especialidades.

A imunoterapia somente é iniciada quando existe indicação clínica e o paciente atende aos critérios de segurança.

Consultas de retorno são marcadas pela própria unidade.

Unidade possui atendimento adulto e pediátrico

A Policlínica Taguatinga 3 oferece consultas com alergista para adultos e crianças, além de pneumologia e outras especialidades.

A unidade também possui farmácia ambulatorial que dispensa medicamentos vinculados aos programas de asma e alergia, conforme prescrição e regras da rede pública.

A sala de imunoterapia funciona de segunda a sexta-feira, nos períodos da manhã e da tarde, mas permanece fechada nas tardes de sexta.

O horário ou a existência do serviço não elimina a necessidade de agendamento e encaminhamento prévio.

Ampliação precisa ser acompanhada por dados sobre espera

A oferta do prick test dentro da rede pública reduz a necessidade de deslocamento para outros serviços e permite que parte da investigação seja realizada no mesmo local do acompanhamento especializado.

Para avaliar o impacto da ampliação, será necessário acompanhar o número de exames realizados, o tempo entre o encaminhamento e a consulta, a quantidade de pacientes em tratamento e a evolução dos sintomas.

O volume de aplicações demonstra atividade do serviço, mas não informa sozinho quanto tempo os usuários aguardam ou quantos permanecem na fila.

Para famílias que convivem diariamente com falta de sono, coceira, crises respiratórias e limitações na escola ou no trabalho, o resultado mais importante não é apenas a realização do teste.

É conseguir um diagnóstico clínico adequado e manter um tratamento seguro que devolva qualidade à rotina.

Relacionadas, fontes e documentos:

Cirurgias no DF crescem 49% com o OperaDF (Fonte em Foco)
Diabetes gestacional pode avançar sem apresentar sintomas (Fonte em Foco)
Pé diabético pode evoluir sem dor e levar à amputação (Fonte em Foco)
Laboratório do Lacen reforça diagnóstico de tuberculose (Fonte em Foco)
– Policlínica Taguatinga 3 e requisitos de atendimento (SES-DF)
Policlínica de Taguatinga amplia tratamento especializado a pacientes com alergias (Agência Brasília)

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