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Agropecuária do DF mantém VBP em R$ 5,8 bilhões

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Pecuária lidera resultado e concentra quase 38% do total

A produção agropecuária do Distrito Federal alcançou Valor Bruto da Produção de aproximadamente R$ 5,8 bilhões em 2025, mantendo-se próxima do resultado registrado no ano anterior.

O indicador reúne o valor estimado da produção rural antes do desconto de despesas com sementes, fertilizantes, rações, energia, mão de obra, máquinas, crédito e outros custos enfrentados pelos produtores.

Em 2024, o VBP havia atingido R$ 5,876 bilhões. Como o resultado de 2025 foi apresentado de forma arredondada, não é possível determinar com precisão se houve estabilidade absoluta ou uma pequena variação negativa.

O levantamento foi elaborado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal com informações coletadas nas propriedades e preços médios de comercialização recebidos pelos produtores.

Resultado cresceu 152% em valores nominais desde 2016

A série histórica iniciada em 2016 mostra que o VBP passou de aproximadamente R$ 2,3 bilhões para R$ 5,8 bilhões em nove anos.

A diferença representa crescimento nominal próximo de 152%.

Esse avanço não significa que a produção, a renda ou a rentabilidade tenham aumentado na mesma proporção. Parte da elevação decorre da inflação e da valorização dos preços dos produtos agropecuários ao longo do período.

Uma comparação em valores reais precisaria corrigir toda a série por um índice de preços e considerar alterações na quantidade produzida.

O VBP também não equivale ao Produto Interno Bruto da agropecuária. O PIB utiliza o valor adicionado pela atividade depois da retirada dos bens e serviços consumidos durante a produção.

Por isso, o indicador de R$ 5,8 bilhões não pode ser somado ou comparado diretamente ao PIB do Distrito Federal.

Pecuária movimenta cerca de R$ 2,2 bilhões

A pecuária permaneceu como o maior grupo produtivo do campo brasiliense em 2025, com VBP estimado em R$ 2,2 bilhões.

O montante corresponde a aproximadamente 38% do resultado agropecuário total.

Entre as atividades de maior valor estão a produção industrial de carne de frango, os ovos férteis, a suinocultura e a bovinocultura.

O extensionista Jair Tostes, da Gerência de Desenvolvimento Econômico da Emater-DF, informou que o grupo reúne 21 produtos e registrou crescimento de 5,05% na produção em relação a 2024.

Esse percentual se refere à produção informada pela Emater e não deve ser confundido automaticamente com crescimento equivalente do VBP. O valor financeiro também depende dos preços recebidos pelos produtores.

Uma atividade pode produzir mais e faturar menos caso os preços recuem. Também pode aumentar o VBP sem ampliar a quantidade, quando os preços sobem.

Grãos respondem por R$ 1,7 bilhão

As grandes culturas geraram aproximadamente R$ 1,7 bilhão, o equivalente a cerca de 29% do VBP agropecuário.

O grupo inclui soja, milho, feijão e milho destinado à produção de silagem, utilizado principalmente na alimentação animal.

A produção de grãos ocupa grandes áreas rurais e utiliza sistemas mecanizados, sementes adaptadas ao Cerrado, irrigação e técnicas de agricultura de precisão.

O resultado demonstra a relevância regional do Distrito Federal na produção agrícola, especialmente pela produtividade alcançada em algumas culturas.

O tamanho territorial do DF, entretanto, não permite equipará-lo aos principais estados produtores em volume total. Sua importância está associada à produtividade, à tecnologia empregada e à proximidade de centros consumidores e instituições de pesquisa.

Hortaliças geram aproximadamente R$ 1,4 bilhão

A olericultura respondeu por cerca de R$ 1,4 bilhão em 2025, participação próxima de 24% no resultado total.

Tomate, alface, morango, couve e cenoura estão entre os produtos de maior valor econômico.

Embora classificado comercialmente como fruta, o morango é incluído pela Emater-DF no grupo das hortaliças para fins do levantamento agropecuário.

A produção de alimentos frescos tem importância particular para o abastecimento do Distrito Federal porque ocorre próxima aos mercados consumidores. Essa localização pode reduzir o tempo entre a colheita e a venda, especialmente no caso de folhas e produtos mais perecíveis.

A Emater-DF considera o território autossuficiente na produção de hortaliças folhosas. A afirmação não significa que o DF produza internamente todas as hortaliças consumidas nem que a oferta seja suficiente durante todos os períodos do ano.

Safras, clima, preferências do consumidor e variações de preço podem exigir a entrada de produtos de Goiás e de outras unidades da Federação.

Flores mantêm valor próximo de R$ 265 milhões

A floricultura registrou VBP aproximado de R$ 265 milhões.

O grupo reúne flores de corte, mudas, plantas ornamentais, palmeiras, forrações, vasos e outros produtos utilizados em residências, empresas, eventos e projetos de paisagismo.

O Distrito Federal possui um mercado consumidor relevante, impulsionado pela renda, pelo setor de eventos e pela demanda por jardins e áreas verdes.

O valor apresentado no VBP representa a produção realizada nas propriedades rurais. Ele não corresponde a todo o comércio de flores no DF, que também inclui produtos trazidos de outros estados, serviços de decoração e vendas no varejo.

Fruticultura soma aproximadamente R$ 240 milhões

A fruticultura respondeu por cerca de R$ 240 milhões.

O DF produz frutas como abacate, goiaba, banana, uva, maracujá, limão, pitaia e mirtilo, entre outras culturas.

A diversificação pode reduzir a dependência de poucos produtos e oferecer alternativas de renda a propriedades menores.

Em algumas culturas, porém, o investimento inicial é elevado e o retorno ocorre apenas depois de anos. O produtor também enfrenta riscos relacionados ao clima, à irrigação, a pragas e à oscilação dos preços.

O resultado de cada cadeia precisa ser analisado em conjunto com área plantada, produtividade, número de produtores e custo de produção.

Silvicultura representa cerca de R$ 28 milhões

A silvicultura apresentou o menor resultado entre os seis grupos, com aproximadamente R$ 28 milhões.

O segmento inclui o cultivo planejado de espécies florestais destinadas a madeira, energia, cercas, construção e outros usos.

Apesar da participação inferior a 1% no VBP, a atividade pode ter função econômica e ambiental quando executada com planejamento, licenciamento e manejo adequado.

O valor reduzido em comparação com os demais grupos não significa que a cadeia seja irrelevante. O VBP mede apenas o faturamento anual da produção e não incorpora todos os serviços ambientais ou os efeitos de longo prazo do cultivo florestal.

Valores arredondados somam R$ 5,83 bilhões

Os montantes apresentados para os seis grupos chegam a aproximadamente:

  • R$ 2,2 bilhões na pecuária;
  • R$ 1,7 bilhão nas grandes culturas;
  • R$ 1,4 bilhão na olericultura;
  • R$ 265 milhões na floricultura;
  • R$ 240 milhões na fruticultura;
  • R$ 28 milhões na silvicultura.

A soma alcança cerca de R$ 5,83 bilhões. A pequena diferença em relação ao total divulgado decorre do arredondamento dos valores.

Pelos números aproximados, pecuária, grandes culturas e olericultura concentram mais de 90% do VBP agropecuário do Distrito Federal.

A elevada concentração mostra que alterações nos preços ou na produção desses três grupos podem modificar significativamente o resultado anual.

Dados são coletados nas propriedades rurais

Os escritórios locais da Emater-DF levantam informações sobre área, quantidade produzida, sistemas de cultivo e atividades pecuárias.

Os dados são inseridos no sistema da empresa e encaminhados à Gerência de Desenvolvimento Econômico, responsável pela padronização e consolidação.

A Gerência de Comercialização e Organização Rural apura os preços médios recebidos pelos produtores.

O VBP de cada produto é calculado pela multiplicação da quantidade produzida pelo preço médio correspondente.

A metodologia busca retratar o faturamento bruto dentro da propriedade. O resultado pode apresentar diferenças em relação a levantamentos do IBGE, da Companhia Nacional de Abastecimento ou de entidades privadas devido às fontes, aos produtos abrangidos e aos métodos de coleta.

Indicador ajuda a orientar políticas públicas

O relatório permite identificar cadeias com expansão, retração ou maior peso econômico.

Essas informações podem orientar programas de assistência técnica, crédito rural, irrigação, defesa sanitária, compras públicas e capacitação.

O poder público também pode utilizar o levantamento para avaliar gargalos de transporte, armazenamento, beneficiamento e comercialização.

O VBP, isoladamente, não informa quanto da receita permaneceu com o produtor nem como o resultado foi distribuído entre propriedades de diferentes tamanhos.

Para compreender a situação econômica das famílias rurais, é necessário combinar o indicador com custos de produção, endividamento, renda líquida, emprego e acesso aos mercados.

Estabilidade financeira não elimina riscos no campo

A manutenção do VBP próximo de R$ 5,8 bilhões indica que a agropecuária preservou seu faturamento nominal, apesar das diferenças entre as cadeias.

O resultado não significa que todos os produtores tenham atravessado o ano nas mesmas condições.

Uma cadeia pode aumentar a produção e enfrentar queda de preços. Outra pode faturar mais porque houve redução da oferta e encarecimento do produto. Custos maiores também podem consumir parte relevante da receita adicional.

O relatório oferece uma visão geral da produção, mas a estabilidade do campo depende do que sobra depois das despesas.

Para os produtores, o número decisivo não é apenas quanto a propriedade faturou. É quanto permaneceu disponível para sustentar a família, pagar os investimentos e preparar a próxima safra.

Relacionadas, fontes e documentos:

Serviços digitais do GDF reduzem filas e deslocamentos (Fonte em Foco)
Brasília Tech Hub inicia implantação de distrito no Biotic (Fonte em Foco)
Fisco digital amplia fiscalização tributária no DF (Fonte em Foco)
Plano Piloto recebe pacote de R$ 38 milhões em obras (Fonte em Foco)
– Valor Bruto da Produção Agropecuária de 2024 (Emater-DF)
Agropecuária do DF mantém patamar histórico e movimenta R$ 5,8 bilhões em 2025 (Agência Brasília)

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