Publicidade
InícioBrasilEconomiaImposto sobre petróleo seguirá em 12% por 60 dias

Imposto sobre petróleo seguirá em 12% por 60 dias

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

Cobertura relacionada

Move Motos mira crédito para entregadores de app

Move Motos deve financiar motos novas para motociclistas de aplicativos, mas regras ainda serão definidas.
Publicidade

Governo mantém taxação para tentar proteger abastecimento interno de combustíveis

As exportações de petróleo bruto e minerais betuminosos continuarão tributadas por mais dois meses. O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior decidiu, nesta quinta-feira (9), manter em 12% a alíquota do Imposto de Exportação sobre esses produtos.

A medida terá validade de até 60 dias e será reavaliada em 30 dias, de acordo com a evolução do cenário internacional. A decisão foi anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Segundo o governo, a manutenção da alíquota busca preservar o abastecimento interno de combustíveis e garantir matéria-prima para o parque de refino nacional.

Tensão no Oriente Médio pesou na decisão do Gecex-Camex

A justificativa apresentada pelo governo é a deterioração do ambiente geopolítico no Oriente Médio, especialmente diante da retomada de tensões entre Estados Unidos e Irã e de novos episódios de instabilidade no Estreito de Ormuz.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais sensíveis do mercado global de energia. Por ali passa parcela relevante do petróleo comercializado no mundo. Quando a região entra em tensão, o preço internacional do barril costuma reagir rapidamente, porque o mercado passa a considerar risco de interrupção no fornecimento.

Nos últimos dias, o petróleo Brent voltou a se aproximar da marca de US$ 80 por barril, refletindo preocupações com a oferta global. Em energia, o mapa importa quase tanto quanto a planilha; basta um gargalo geopolítico para o preço começar a falar mais alto.

MP perde validade, mas imposto pode seguir por decisão administrativa

O imposto sobre a exportação de petróleo foi criado por medida provisória editada em março. A cobrança fazia parte de uma resposta do governo à alta internacional dos combustíveis e à redução de tributos federais sobre o diesel.

A medida provisória perde validade nesta quinta-feira. Ainda assim, por se tratar de tributo regulatório, o Gecex-Camex pode manter a alíquota por decisão administrativa, sem necessidade de nova aprovação pelo Congresso Nacional.

Inicialmente, a equipe econômica avaliava reduzir gradualmente a cobrança até zerar o imposto, caso o preço internacional do petróleo permanecesse em patamar mais baixo. A estratégia foi revista diante da nova pressão geopolítica sobre as cotações.

Governo reavalia retirada de subsídios dos combustíveis

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo também reavalia o cronograma de retirada de subsídios relacionados aos combustíveis.

Segundo ele, a mudança no cenário internacional exige cautela antes de qualquer nova alteração na política adotada para o setor. A avaliação do governo é que a volatilidade externa pode voltar a pressionar preços internos, especialmente se houver risco de restrição no fornecimento global.

A decisão sobre o imposto de exportação, portanto, está conectada a uma estratégia mais ampla de tentar amortecer impactos sobre combustíveis no mercado doméstico.

Setor de petróleo vê risco de insegurança jurídica

A manutenção da cobrança ocorre em meio a questionamentos do setor produtivo. Entidades ligadas à indústria de petróleo têm criticado a taxação por entender que ela eleva custos, altera expectativas de investimento e amplia a percepção de insegurança jurídica.

Também houve disputa judicial sobre a cobrança. Em abril, decisões beneficiaram algumas petroleiras estrangeiras e suspenderam a incidência do imposto para determinadas empresas, sob questionamento de constitucionalidade. O governo informou que recorreria.

Esse ponto segue relevante porque a continuidade da alíquota por ato administrativo pode manter o debate jurídico e regulatório em aberto, especialmente se empresas alegarem impacto sobre contratos, exportações e planejamento de produção.

Análise da política de tributação do petróleo

A manutenção do imposto de exportação sobre petróleo revela uma escolha de política econômica em ambiente de incerteza. O governo tenta segurar matéria-prima no mercado interno e reduzir risco de desabastecimento, mas faz isso por meio de uma tributação que afeta exportadores e pode gerar reação do setor.

O argumento oficial é defensivo: diante de tensão no Oriente Médio e risco sobre o Estreito de Ormuz, preservar o refino nacional e o abastecimento interno seria prioridade. A lógica é compreensível em um mercado global instável, mas a medida exige reavaliação constante para não se transformar em custo permanente disfarçado de resposta emergencial.

O ponto decisivo será a revisão em 30 dias. Se o cenário internacional aliviar, a manutenção da alíquota tenderá a exigir justificativa mais robusta. Se a tensão aumentar, o governo poderá sustentar que a prudência regulatória ainda se impõe. Em ambos os casos, o consumidor acompanha a discussão pela consequência mais concreta: o preço do combustível e o risco de instabilidade no abastecimento.

Relacionadas, fontes e documentos:

Poupança perdeu R$ 39,3 bilhões no semestre (Fonte em Foco)
Dólar caiu a R$ 5,13 e Bolsa recuou (Fonte em Foco)
Mercado reduz previsão de inflação para 2026 (Fonte em Foco)
Brasil contesta novas barreiras da UE ao aço brasileiro (Fonte em Foco)
Segundo lote do IR alcança 9,5 milhões de contribuintes (Fonte em Foco)
– Câmara de Comércio Exterior (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços)
Imposto de 12% sobre exportação de petróleo é estendido por 60 dias (Agência Brasil)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.