Brasiliense de 15 anos vence três provas em Portugal
A nadadora brasiliense Priscila Pontual Lobato da Cruz, de 15 anos, conquistou três medalhas de ouro na categoria júnior do Mundial de Natação para Pessoas com Síndrome de Down, disputado em Albufeira, Portugal. Em três dias de competição, venceu os 100, os 200 e os 25 metros livre. Para chegar às provas, contou com passagens concedidas pelo Compete Brasília e precisou de uma decisão judicial para garantir sua inscrição.
Três provas de estilo livre, três ouros para Brasília
A primeira vitória veio no domingo (1º), nos 100 metros livre. Priscila terminou a prova em 1min34s82 e conquistou o título mundial júnior, deixando para trás a polonesa Maria Kukorowska, segunda colocada, e Mariya Bogdasaryan, que competiu sob bandeira neutra.
Na segunda-feira (2), foi a vez dos 200 metros livre. A brasiliense completou a distância em 3min34s96 e superou Maria Kukorowska por apenas 91 centésimos de segundo. Foi uma chegada apertada, decidida em menos de um segundo, que garantiu a segunda vitória da jovem no campeonato.
O terceiro ouro chegou na terça-feira (3). Priscila venceu os 25 metros livre com o tempo de 17s99, à frente da argentina Faustina Romero, que marcou 18s37, e da egípcia Fareda Dowedar, com 18s43.
Não foram apenas vitórias. Nos 25 metros borboleta, a atleta também alcançou a final e terminou na quarta colocação, com 23s42. O resultado fez parte de uma participação que reúne oito provas nas modalidades livre, borboleta e costas.
O Mundial ainda não terminou. As disputas de natação seguem até sexta-feira (6), com novas provas previstas na programação da competição.
A preparação que começou em Brasília
Antes de conquistar medalhas em Portugal, Priscila construiu sua trajetória esportiva nas piscinas do Distrito Federal. Conhecida como Pri, ela integra o Projeto Naurú e treina no Centro Olímpico da Universidade de Brasília (UnB).
É dessa rotina de preparação que a jovem saiu para representar o Brasil em uma competição internacional. Aos 15 anos, enfrenta adversárias de diferentes países e acumula resultados importantes na categoria júnior.
A alegria aparece de maneira simples quando Priscila fala sobre o que conquistou.
“Estou muito feliz por ser campeã mundial. Esta medalha é uma conquista minha, mas também é do Brasil.” A nadadora também destacou o orgulho de representar o país e levar o ouro para casa.
Compete Brasília garantiu passagens para o Mundial
Chegar a uma competição internacional também exige vencer dificuldades que não aparecem no cronômetro. Uma delas é o custo da viagem, especialmente quando o atleta precisa se deslocar para outro país.
No caso de Priscila, as passagens para Portugal foram concedidas pelo Compete Brasília, programa da Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal (SEL-DF).
Criado pela Lei Distrital nº 5.797, de 2016, o Compete Brasília oferece apoio ao deslocamento de atletas e paratletas para competições nacionais e internacionais. A iniciativa busca ampliar as oportunidades de participação esportiva e reduzir parte das despesas necessárias para disputar eventos oficiais.
O benefício segue critérios definidos em lei. Para solicitar o apoio, o atleta precisa apresentar documentação que comprove sua participação na competição, atender às exigências de vínculo esportivo e passar pela análise administrativa do pedido.
A legislação também contempla situações específicas de atletas com deficiência e menores de idade, permitindo, nas condições previstas, o apoio ao deslocamento de acompanhantes e responsáveis.
Para o secretário de Esporte e Lazer, Renato Junqueira, a conquista da jovem mostra a importância de oferecer condições para que atletas do Distrito Federal participem dessas competições.
“É uma alegria enorme ver uma jovem brasiliense de apenas 15 anos conquistando o mundo”, afirmou.
O secretário também destacou a contribuição do Compete Brasília para a viagem de Priscila e o compromisso de manter oportunidades para atletas e paratletas do DF.
A inscrição exigiu uma decisão da Justiça
As passagens, porém, não resolviam tudo. Priscila também precisava estar oficialmente inscrita no Mundial. Essa etapa dependia da Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Intelectuais (CBDI), responsável por formalizar a participação dos atletas brasileiros.
A entidade havia deixado a competição fora de seu calendário, alegando dificuldades financeiras. A família da nadadora estava disposta a custear a viagem, mas não poderia fazer a inscrição diretamente, porque o procedimento dependia da confederação.
Diante do impasse, os familiares recorreram à Justiça do Distrito Federal. Em 10 de julho de 2026, uma decisão determinou que a CBDI inscrevesse Priscila no campeonato no prazo de 24 horas.
A confederação cumpriu a determinação. Com a inscrição formalizada, a adolescente pôde participar da competição em Portugal.
O caso envolveu, portanto, duas questões diferentes: conseguir viajar e ter a participação autorizada pelas regras do campeonato. O programa distrital ajudou no deslocamento, enquanto a decisão judicial garantiu a inscrição necessária para entrar nas provas.
O que precisa funcionar para um atleta chegar ao Mundial
As três medalhas de Priscila foram conquistadas dentro da piscina, mas sua participação começou a ser definida muito antes da primeira largada. A preparação esportiva precisava encontrar condições concretas para se transformar em participação internacional.
Uma atleta pode alcançar o desempenho necessário e, ainda assim, depender de recursos financeiros, documentos, inscrições e decisões administrativas para disputar uma competição. São etapas diferentes, cada uma capaz de interferir no acesso ao campeonato.
A trajetória de Priscila mostra por que o incentivo ao paradesporto não se resume ao treinamento ou à entrega de passagens. Também envolve o funcionamento das instituições responsáveis por organizar e viabilizar a presença dos atletas nas disputas.
No caso da brasiliense, o apoio ao transporte e a garantia judicial da inscrição permitiram que essas etapas fossem superadas.
Aos 15 anos, Priscila levou três primeiros lugares mundiais para sua trajetória esportiva. As conquistas valorizam o trabalho desenvolvido nas piscinas de Brasília e ajudam a mostrar como oportunidades de participação podem fazer a diferença na carreira de jovens atletas com deficiência.
Fontes e Documentos:
- Medalists by event (Federação Portuguesa de Natação)
- Event Notices & Results – Portugal 2026 (Down Syndrome International Swimming Organisation)
- Com apoio do Compete Brasília, paratleta de 15 anos conquista dois ouros em campeonato internacional (Agência Brasília)

