Publicidade
InícioBrasilJustiçaA queda de Zambelli expõe o buraco institucional do país

A queda de Zambelli expõe o buraco institucional do país

Publicado em

Reportagem:
Reporter: Marta Borges

Cobertura relacionada

Voepass: 16 indiciados por queda em Vinhedo

PF indicia 16 pessoas por queda da Voepass em Vinhedo com 62 mortes; Justiça proíbe suspeitos de deixar o país. Entenda o caso.

Ciclone bomba atinge Sul e Sudeste

Ciclone bomba coloca Sul e Sudeste em alerta para ventos de até 100 km/h. RS tem alerta vermelho e SP instala gabinete de crise.

Hospital de Base usa nova técnica em artérias calcificadas

Hospital de Base do DF incorpora rotablator para tratar artérias calcificadas. Técnica evita cirurgia cardíaca, reduz internação e custos.

INSS amplia dispensa de carência para 18 condições

Carência do INSS é dispensada em 18 condições, entre elas a gestação de alto risco. Perícia e qualidade de segurado continuam exigidas.

Viva Flor passa a valer em 13 delegacias do DF

Viva Flor passa a ser acessado por via administrativa em 13 delegacias do DF, sem necessidade de decisão judicial prévia. Entenda como funciona.

Desaparecimento no DF exige registro policial imediato

Desaparecidos DF devem ter registro imediato. Saiba o que informar à polícia, como divulgar o caso e o que fazer após a localização.
Publicidade

Agora sim, vamos conversar no bom e velho estilo Marta Borges: opinião afiada, ironia no ponto e respeito absoluto aos fatos.

Quando o ministro Alexandre de Moraes, do STF, anulou a votação da Câmara dos Deputados que tentou salvar o mandato de Carla Zambelli (PL-SP), ele não apenas virou a chave de um caso judicial. Ele deu um tapa de realidade no plenário que, mais uma vez, achou que podia reinterpretar a Constituição como quem troca a estação do rádio.

A Câmara rejeitou a cassação, é verdade. Mas rejeitou baseada em quê? Em vontade política. E vontade política, meu caro leitor, não costuma sobreviver ao encontro direto com um acórdão transitado em julgado. Moraes apenas apontou para o óbvio jurídico: quem decide perda de mandato após condenação definitiva é o Judiciário. Ao Legislativo cabe o papel burocrático de declarar. É quase como explicar para adulto que regra é regra — e que criatividade hermenêutica tem limite.

O ministro determinou ainda a posse imediata do suplente Adilson Barroso (PL-SP) em até 48 horas. Um recado claro: o mandato não é souvenir nem blindagem corporativa. É função pública. E função pública tem consequência.

Mas essa história não começa no plenário. Começa em Roma, em julho, quando Zambelli foi presa tentando escapar de um mandado de prisão. Tentando o quê? Asilo político. Na Itália. Para fugir de uma condenação de 10 anos por ter sido, segundo as investigações, a mente por trás da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça — uma ação que gerou até um mandado falso de prisão contra Moraes. Isso não é roteiro de filme B. Isso é o Brasil atual.

Walter Delgatti, o executor do hackeamento, confirmou ter agido a mando da parlamentar. A partir desse momento, o enredo deixou de ser debate político e virou caso de polícia — pesado, técnico e com farta documentação.

O governo brasileiro, previsivelmente, pediu a extradição, já enviada pelo Itamaraty ao governo italiano. A Justiça italiana vai bater o martelo no dia 18. E enquanto isso, aqui no Brasil, Moraes tenta recolocar a institucionalidade de pé, enquanto a Câmara tenta fingir que não está vendo o incêndio.

O mais impressionante é que ainda nos surpreendemos. Como se não fosse previsível que uma condenação dessa magnitude resultasse na perda do mandato. O absurdo não é a decisão do STF; o absurdo é ter sido necessário lembrar o Congresso do básico.

No fim das contas, a queda de Zambelli não é apenas queda. É um espelho. E o reflexo não está bonito.

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.