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Brasileiros esvaziam a poupança: O que isso diz sobre nós?

Publicado em

Reportagem:
Gabriela Oliveira

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Os números divulgados pelo Banco Central (BC) em outubro/25, mostrando uma perda líquida de R$ 9,7 bilhões na poupança, resultado de mais saques do que depósitos, revelam mais do que uma tendência econômica: revelam hábitos, decisões e emoções que moldam a forma como o brasileiro lida com o dinheiro.

Esse é o quarto resultado negativo consecutivo, e o saldo de retiradas em 2025 já soma R$ 88,1 bilhões.
Mas por que estamos retirando tanto dinheiro da poupança? E, mais importante: o que esse movimento diz sobre o nosso comportamento financeiro, individual e coletivo?

Selic alta, poupança em queda: O que muda para você

O principal motivo dessa “fuga” da poupança é a Taxa Selic, mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), o nível mais alto desde 2006.
Mas antes de pensar que isso é apenas um número distante da sua realidade, é importante entender o que ele significa no seu dia a dia.

A Selic é a taxa que regula praticamente tudo: dos rendimentos dos investimentos ao custo do crédito.
Quando ela está alta, empréstimos e financiamentos ficam mais caros, mas investimentos de renda fixa como CDBs, Tesouro Selic e fundos atrelados à taxa básica, passam a render mais do que a tradicional poupança.

Reflexão: Se o seu dinheiro ainda está todo parado na poupança, talvez ele não esteja trabalhando por você.
Este é o momento ideal para conhecer novas opções, entender como funcionam e dar a si mesma a chance de ver o dinheiro crescer de forma mais inteligente e segura.

Como suas escolhas individuais ajudam (sim!) a conter a inflação

O Banco Central tem como meta reduzir a inflação, que hoje está em 5,17% nos últimos 12 meses, para o centro da meta de 3%.
Mas, embora o controle da inflação pareça uma missão de economistas e governantes, ele também depende das nossas escolhas cotidianas.

A inflação sobe quando a demanda (o que as pessoas querem comprar) é maior do que a oferta (o que há disponível).
E é aqui que entra a educação financeira com consciência: cada decisão de consumo tem um efeito na economia e na vida.

Pense nisso:

  • Quando você evita compras por impulso, ajuda a reduzir a pressão da demanda;

  • Quando diminui o uso do crédito caro, como o rotativo do cartão, fortalece sua estabilidade e reduz o endividamento geral;

  • Quando guarda e investe com propósito, contribui para um ciclo econômico mais equilibrado.

Quando a sociedade consome de forma mais consciente, o Banco Central não precisa manter a Selic tão alta por tanto tempo, e o controle da inflação acontece de forma natural e sustentável.

Mais do que entender economia: é sobre entender a si mesmo

O cenário atual é um convite à reflexão:
Como você tem se relacionado com o seu dinheiro? Ele tem sido um aliado da sua tranquilidade ou uma fonte de preocupação constante?

Educação financeira vai além de saber onde investir, ela começa quando você passa a entender seus comportamentos, reconhecer seus padrões e fazer escolhas conscientes.
É assim que, pouco a pouco, cada pessoa se torna capaz de transformar a própria vida financeira, e, somando forças, ajudar o país a prosperar.

Educar-se financeiramente é também aprender a cuidar de si e do coletivo.

Gabriela Oliveira é educadora financeira comportamental, mentora, palestrante e coautora do livro Finanças e Negócios – Acelere seu Potencial Financeiro e Empresarial. @gabrielaoliveira.financas

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