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Chuvas deixam 16 mil afetados e mortes na Paraíba

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Paulo Andrade

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Calamidade na Paraíba expõe risco de enchentes e amplia ação da Defesa Civil

As fortes chuvas que atingem a Paraíba desde sexta-feira, 1º de maio, deixaram mais de 16 mil pessoas afetadas, provocaram mortes e levaram o governo estadual a decretar estado de calamidade pública. Técnicos da Defesa Civil Nacional passaram a atuar no apoio aos municípios atingidos, com foco em assistência emergencial e reconstrução das áreas mais danificadas.

O impacto é direto sobre famílias que perderam casas, móveis, documentos, acesso regular à água e segurança mínima para permanecer onde vivem. Em situações assim, chuva deixa de ser fenômeno meteorológico e passa a ser crise social. A água sobe rápido. A resposta pública precisa subir antes.

Chuvas na Paraíba deixam desalojados e desabrigados

O balanço informado pelas autoridades aponta 624 pessoas desalojadas e cerca de 703 desabrigadas. Duas mortes foram registradas em decorrência das chuvas. Os maiores impactos se concentram em Bayeux, Rio Tinto, Mamanguape, Sapé, Ingá, João Pessoa e Cabedelo.

A diferença entre desalojado e desabrigado importa. O desalojado consegue buscar abrigo temporário com parentes, amigos ou em outro local próprio. Já o desabrigado depende diretamente de acolhimento público ou estrutura emergencial. Nos dois casos, há perda concreta de estabilidade e aumento da vulnerabilidade.

Uma força-tarefa foi mobilizada para apoiar a resposta emergencial. O trabalho envolve resgate, assistência social, abastecimento, monitoramento sanitário e apoio técnico aos municípios afetados.

Abastecimento de água é afetado na Grande João Pessoa

Na Grande João Pessoa, o governo informou a realização de operações emergenciais para retomar o abastecimento de água. Os sistemas Marés e Translitorânea seguiram em funcionamento, garantindo cerca de 50% do fornecimento para a região, enquanto a unidade afetada passava por processo de retomada.

A normalização foi prevista de forma gradual, com rodízio em bairros da capital, como Valentina, Manaíra, Jardim Oceania, Aeroclube e Bessa. No município de Conde, o abastecimento começou a ser restabelecido no domingo, segundo o governo estadual.

A interrupção ou redução no fornecimento de água agrava a crise. Depois de enchentes, a falta de água limpa dificulta higiene, preparo de alimentos e prevenção de doenças. É o tipo de problema que mostra como infraestrutura, saúde e defesa civil caminham juntas, mesmo quando a burocracia insiste em separar tudo em gavetas.

Bombeiros resgatam moradores e reforçam atendimento

O Corpo de Bombeiros informou a realização de 390 atendimentos, com 171 ocorrências e 219 ações assistenciais. Ao todo, 306 pessoas foram resgatadas. A operação mobilizou 746 militares, além de viaturas, embarcações e aeronaves em diferentes cidades paraibanas.

Esse tipo de resposta exige velocidade e coordenação. Em áreas alagadas, cada hora pode alterar o risco para famílias ilhadas, idosos, crianças e pessoas com dificuldade de locomoção.

O monitoramento sanitário também foi intensificado para reduzir riscos de doenças comuns após enchentes, como leptospirose e doenças diarreicas. A medida é essencial porque a água acumulada pode carregar esgoto, lixo, animais mortos e agentes infecciosos.

Pernambuco e Paraíba seguem sob alerta laranja

Além da Paraíba, Pernambuco também sofre com os efeitos das chuvas intensas. O estado já registrava óbitos e áreas sob atenção da Defesa Civil. O alerta laranja emitido para o litoral dos dois estados indica alto risco de alagamentos e deslizamentos.

Os avisos abrangem a Região Metropolitana do Recife, o Agreste e a Zona da Mata pernambucana, além da Mata Paraibana, do Agreste e da Borborema, na Paraíba. A Defesa Civil informou a existência de dezenas de alertas ativos e recomendou atenção redobrada nas áreas de risco.

Para moradores de encostas, margens de rios, áreas de alagamento recorrente e imóveis com sinais de rachaduras ou instabilidade, a recomendação é não esperar o agravamento. Em enchente, sair cedo de uma área de risco não é exagero. É prudência com endereço certo.

Reconstrução precisa ir além da resposta emergencial

A etapa imediata é salvar vidas, acolher famílias e restabelecer serviços essenciais. No entanto, a reconstrução exigirá mais do que limpeza de ruas e reparo de equipamentos. Será necessário avaliar drenagem, ocupação de áreas vulneráveis, capacidade de alerta e estrutura permanente de prevenção.

Eventos extremos expõem fragilidades antigas. Quando a chuva cai, ela encontra bueiros, rios, encostas, moradias e redes de abastecimento como estão, não como deveriam estar. Por isso, a calamidade também funciona como teste duro da infraestrutura pública.

A resposta agora precisa combinar urgência e planejamento. O atendimento emergencial reduz o sofrimento imediato. A prevenção evita que a próxima chuva encontre as mesmas famílias no mesmo risco.

Fontes e documentos:

Governador decreta estado de calamidade pública na Paraíba (Agência Brasil)
– Governo Federal reconhece emergência e libera ações para atendimento a municípios em PE e PB (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional)
– Governador Lucas Ribeiro faz balanço das ações em cidades atingidas pelas fortes chuvas (Governo da Paraíba)
– Chuvas: Governo envia Defesa Civil para Pernambuco e Paraíba (Agência Brasil)

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