Ações orientam moradores a identificar e denunciar violência
A Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal participa nesta quinta-feira, 14 de maio, do Dia D de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, com ações educativas em Santa Maria e na região da Feira dos Importados. A mobilização integra a Operação Caminhos Seguros 2026 e a campanha Maio Laranja, que reforçam a prevenção, a denúncia e a proteção de crianças e adolescentes em situação de risco.
Maio Laranja terá blitzes em Santa Maria e Feira dos Importados
Pela manhã, das 8h às 12h, equipes da Sejus-DF e de órgãos parceiros farão uma blitz educativa na unidade da Polícia Rodoviária Federal, em Santa Maria. A ação terá abordagem a motoristas e passageiros, distribuição de materiais informativos e orientação sobre formas de identificar e denunciar casos de violência contra crianças e adolescentes.
À tarde, a mobilização segue para as proximidades da Feira dos Importados, em parceria com o Detran-DF. A escolha de pontos com grande circulação e fluxo de veículos reforça uma lógica importante da operação: levar a informação até onde o risco pode passar despercebido. Em violência sexual infantil, silêncio e desconhecimento também são parte do problema.
Operação Caminhos Seguros articula rede de proteção
A Operação Caminhos Seguros é coordenada nacionalmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. No Distrito Federal, a execução envolve uma rede interinstitucional formada por Sejus-DF, SSP-DF, PMDF, CBMDF, DER, PRF, Detran-DF, MPT e MPDFT. A proposta combina prevenção, conscientização e repressão qualificada a crimes contra crianças e adolescentes.
As ações se concentram em áreas consideradas mais vulneráveis, como rodovias, postos de combustíveis, regiões periféricas e locais de grande circulação. Esses espaços exigem atenção porque podem ser usados para aliciamento, exploração sexual, tráfico de menores e outras violações de direitos. A fiscalização, nesse caso, precisa andar junto com orientação pública. Só repressão chega tarde; só cartilha chega fraca.
Escolas também receberão ações educativas
Ao longo do mês, a Sejus-DF também promoverá palestras em mais de dez escolas públicas do Distrito Federal. As atividades tratarão de educação sexual, consentimento, prevenção à violência e identificação de situações de risco, com linguagem adaptada para crianças, adolescentes e pessoas com deficiência.
Esse trabalho é decisivo porque parte das vítimas não consegue nomear a violência que sofre. Em muitos casos, a denúncia só aparece quando uma criança encontra um adulto preparado para escutar, acreditar e encaminhar. A proteção começa antes do boletim de ocorrência; começa quando a rede aprende a perceber sinais que a rotina tenta esconder.
Violência muitas vezes ocorre dentro de casa
A campanha também chama atenção para um dado incômodo: grande parte das agressões acontece no ambiente familiar ou envolve pessoas conhecidas da vítima. Dados citados na mobilização indicam que parentes aparecem como responsáveis por 61,2% dos casos, enquanto conhecidos respondem por 23,5%. Esse recorte reforça a necessidade de vigilância constante, escuta qualificada e canais de denúncia acessíveis.
O Disque 100, vinculado à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, recebe denúncias de violações de direitos humanos e pode acionar órgãos competentes em situações graves, recentes ou em curso. Em casos de emergência, a população também deve buscar os canais policiais e a rede de proteção local. A regra prática é simples e urgente: suspeita consistente não deve ser guardada em casa. Criança protegida é criança ouvida.
Proteger exige presença, não apenas campanha
O Maio Laranja é importante porque dá visibilidade a um tema que costuma sobreviver no silêncio. Mas o enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes não cabe em um mês. Exige escola atenta, família informada, conselho tutelar estruturado, polícia preparada, Ministério Público atuante, saúde capaz de acolher e assistência social presente no território.
A mobilização no DF acerta ao ocupar ruas, rodovias e escolas. Agora, o desafio é fazer a informação virar denúncia segura, atendimento rápido e responsabilização efetiva. A violência sexual infantil costuma se esconder atrás da confiança, da ameaça e da vergonha. Por isso, a rede pública precisa chegar antes que o medo ensine a vítima a calar.
Fontes e documentos:
– Palmilhas gratuitas ajudam pacientes a andar sem dor (Fonte em Foco)
– “Não Temas, Maria” amplia rede contra violência no DF (Fonte em Foco)
– Maio Laranja reforça proteção de crianças no DF (Fonte em Foco)
– Dia D reforça mobilização contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes no DF (Sejus-DF)
– Maio Laranja: Sejus intensifica ações e mobiliza rede de proteção contra violência sexual de crianças e adolescentes (Sejus-DF)
– Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania)

