Publicidade
InícioBrasilEconomiaSalário mínimo faz 90 anos e mudou relações de trabalho

Salário mínimo faz 90 anos e mudou relações de trabalho

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Fabíola Fonseca

Cobertura relacionada

Eleições 2026 DF: Celina lidera duas pesquisas para governo

Celina Leão lidera as últimas pesquisas para o Governo do DF. Os levantamentos Real Time Big Data e Quaest mostram a disputa com Leandro Grass.

Anvisa aprova novo medicamento para lúpus

Gazya, à base de obinutuzumabe, ganha nova indicação para adultos com lúpus ativo moderado a grave.

747 vagas de emprego no DF nesta quinta 15/10

DF tem 747 vagas de emprego nesta quinta 15/10, com destaque para motoristas em Brazlândia e 162 oportunidades de repositor em várias regiões.

PGR vê falta de elementos para afastar diretor da PF

Parecer da PGR ao STF contesta afastamento da cúpula da PF e aponta falta de evidências individualizadas.

Mega-Sena sorteia R$ 150 milhões hoje 14/10

Concurso 3.070 da Mega-Sena sorteia R$ 150 milhões nesta quarta 14/10, após ajuste no calendário pelo feriado.

Agências do Trabalhador abrem a semana com 747 vagas

Agências do Trabalhador têm 747 vagas nesta segunda-feira no DF. Há salários de até R$ 3,3 mil e oportunidades para diferentes perfis.
Publicidade

A lei que criou o salário mínimo no Brasil completa 90 anos nesta quarta-feira (14). Promulgada em 1936 (Lei nº 185) e regulamentada em 1940, a legislação não caiu do céu nem foi gentileza de gabinete. Ela nasceu de lutas dos trabalhadores, promoveu uma reordenação social profunda e incomodou elites econômicas, como avaliam historiadores ouvidos pela Agência Brasil.

Logo no primeiro artigo, a lei deixa claro o tamanho da ambição: garantir ao trabalhador um salário capaz de cobrir alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte, considerando a região e o período histórico. Para os padrões da época, era quase revolucionário. Para parte da elite, era quase um sacrilégio.

Greves, pressão e atraso histórico

Segundo o professor Mateus Gamba Torres, da Universidade de Brasília (UnB), o salário mínimo é fruto direto das greves das décadas de 1910 e 1920, quando trabalhadores passaram a exigir condições mínimas de sobrevivência. Até então, a relação era puramente civil: prestação de serviço sem qualquer piso salarial obrigatório.

O atraso brasileiro não era casual. Desde o fim do século 19, movimentos operários e a influência de legislações mais avançadas em outros países — como o Uruguai — pressionavam por mudanças. O Brasil resistiu, mas não conseguiu ficar eternamente à margem.

Um país em transição

Para o professor Deusdedith Rocha, do Centro Universitário de Brasília (Ceub), a criação do salário mínimo ocorreu em um momento de transição estrutural. O país deixava de ser predominantemente agroexportador e caminhava para uma sociedade urbana e industrial.

Essa mudança introduziu uma nova cultura nas relações de trabalho, ainda que de forma desigual. Na prática, o salário mínimo teve impacto mais imediato no Sudeste, enquanto outras regiões ficaram à margem do novo padrão. Rocha ressalta que, apesar do avanço social, a legislação também serviu como instrumento de controle político, típico do período.

Vargas no meio do fogo cruzado

O então presidente Getúlio Vargas governava sob pressão dupla. De um lado, trabalhadores organizados cobrando direitos. De outro, elites econômicas desconfiadas, especialmente o setor agrário, temeroso do aumento de custos. A reação foi ambivalente.

Segundo Rocha, a elite resistiu, mas acabou se adaptando estrategicamente. A ideia de que o salário mínimo poderia trazer estabilidade social ajudou a reduzir a resistência. Mais dinheiro circulando incomodava, mas o risco de conflito social incomodava mais.

Conquista que virou referência

Para Mateus Gamba, o salário mínimo se consolidou como pilar da regulação das relações de trabalho no Brasil. Não resolveu todas as desigualdades, longe disso. Mas estabeleceu um chão legal, abaixo do qual a exploração deixou de ser aceitável até mesmo na lei.

“O trabalhador passou a enxergar o salário mínimo como algo fundamental para a própria sobrevivência”, resume o historiador. Noventa anos depois, o debate sobre seu valor continua aceso. O princípio, porém, permanece: sem pressão social, direito não anda. E, quando anda, costuma deixar marcas profundas.

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.