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Pesquisa aponta apoio espiritual a idosos no DF

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Estudo no DF indica religiosidade como apoio à saúde mental de idosos

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Católica de Brasília (UCB) identificou que religiosidade, espiritualidade e senso de comunidade funcionaram como fatores de proteção emocional para parte da população idosa durante a pandemia de covid-19. O estudo analisou percepções de pessoas com 60 anos ou mais, infectadas e não infectadas pelo SARS-CoV-2, sobre envelhecimento, morte e saúde mental.

Os dados dialogam com o contexto do Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental, e reforçam a importância de estratégias de cuidado que ultrapassem o atendimento clínico tradicional, sobretudo em situações de crise sanitária e isolamento social.

Pesquisa qualitativa e abordagem ecumênica

Intitulado “Percepções de idosos infectados e não infectados pelo SARS-CoV-2 sobre o envelhecimento, morte e saúde mental: uma abordagem qualitativa e ecumênica”, o estudo teve coordenação do pesquisador Vicente Paulo, docente da área de Gerontologia e Saúde Mental, e recebeu fomento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), no valor de R$ 70 mil, por meio de edital de demanda espontânea.

A metodologia adotada foi qualitativa, baseada em entrevistas e escuta direta dos participantes. A proposta ecumênica considerou múltiplas crenças e visões de mundo — do catolicismo e protestantismo a espiritualidades não institucionais e à não religiosidade — sem privilegiar tradições específicas. O objetivo foi mapear como diferentes referenciais simbólicos influenciaram o enfrentamento emocional no período de maior restrição social.

Segundo o pesquisador, envelhecer envolve dimensões biológicas, sociais, culturais e espirituais que precisam ser observadas de forma integrada quando o tema é saúde mental.

Impacto social e aproximação entre ciência e políticas públicas

Para o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, o financiamento de pesquisas voltadas às vivências concretas da população contribui para transformar conhecimento acadêmico em impacto social e subsidiar políticas públicas mais alinhadas à realidade local. A leitura institucional é que estudos desse tipo auxiliam na formulação de ações de cuidado voltadas a grupos vulneráveis, como idosos em contextos de emergência sanitária.

Os resultados indicam que religiosidade e espiritualidade podem atuar como fatores de proteção emocional, especialmente quando associadas a redes de apoio comunitário. O estudo sugere que políticas públicas de saúde mental considerem a articulação com organizações sociais e comunitárias já presentes nos territórios, sem substituir o atendimento clínico, mas ampliando o alcance do cuidado.

Desdobramento tecnológico e limites do projeto

Um dos desdobramentos foi o desenvolvimento experimental do aplicativo Eu Confio, concebido para oferecer apoio emocional e espiritual a pessoas idosas em dispositivos móveis. O protótipo passou por etapas de usabilidade e testes no âmbito do estudo, mas foi descontinuado ao término do projeto, permanecendo como experiência acadêmica e não como serviço ativo.

A iniciativa ilustra a tentativa de converter achados científicos em soluções práticas, ainda que a continuidade dependa de financiamento e estrutura operacional.

Envelhecimento, isolamento e estratégias de enfrentamento

O isolamento social prolongado, a exposição contínua a notícias negativas e a vivência do luto foram apontados como elementos que agravaram o sofrimento psíquico de parte dos idosos durante a pandemia. A pesquisa partiu da pergunta sobre quais fatores poderiam proteger a saúde mental em cenários extremos e encontrou, nas narrativas coletadas, a recorrência de práticas espirituais, vínculos comunitários e rotinas de sentido pessoal como mecanismos de enfrentamento.

Por adotar abordagem qualitativa, o estudo priorizou a compreensão das experiências individuais e não a generalização estatística. Ainda assim, os achados oferecem subsídios para o debate público sobre envelhecimento, saúde mental e a necessidade de políticas intersetoriais que considerem dimensões sociais e culturais do cuidado.

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