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STF retoma julgamento sobre o caso Marielle Franco

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Marta Borges

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O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira (24) o julgamento que pode validar a quebra de sigilo para identificar usuários que realizaram buscas por palavras-chave na internet. A decisão, caso seja confirmada, poderá autorizar a medida em investigações criminais.

Até o momento, o placar é de 4 votos a 2 a favor da medida, mas com regras restritivas que deverão ser fixadas pela Corte. O julgamento foi suspenso e será retomado nesta quinta-feira (25).

Origem do caso

A discussão surgiu a partir de um recurso do Google contra decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que obrigou a empresa a fornecer dados de usuários que pesquisaram sobre a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, nos dias próximos ao assassinato, em março de 2018, no Rio de Janeiro.

A decisão do STJ exigia a entrega de endereços de IP de usuários que buscaram termos como “Marielle Franco”, “Casa das Pretas” e “Rua dos Inválidos” entre os dias 10 e 14 de março de 2018. O Google contestou a determinação por considerá-la genérica, sem a indicação prévia de suspeitos, o que, segundo a empresa, afronta a Constituição.

Os votos

Votaram a favor da quebra de sigilo com limitações os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Nunes Marques e Gilmar Mendes. Entre as condições, estão:

  • decisão judicial prévia;

  • descarte dos dados de pessoas não investigadas;

  • restrição da medida apenas a crimes hediondos.

Gilmar Mendes destacou que a Constituição protege dados pessoais, mas reconheceu a necessidade de flexibilização em crimes graves, como homicídio, feminicídio e estupro:

“Estamos tratando de restrições de direitos fundamentais de pessoas indeterminadas. A limitação da medida parece essencial para garantir que o menor número de sujeitos não relacionados ao crime sofra essa limitação”, afirmou.

Contra a medida votaram André Mendonça e Rosa Weber (já aposentada). Mendonça alertou para o risco de um “Estado policialesco”:

“Estamos construindo um precedente muito perigoso para os direitos fundamentais. É um caminho sem volta”, disse.

Caso Marielle

O julgamento está diretamente ligado à investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Em maio deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação dos acusados de envolvimento no crime:

  • Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ;

  • Chiquinho Brazão, ex-deputado federal;

  • Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do RJ;

  • Ronald Alves de Paula, major da PM;

  • Robson Calixto, ex-policial militar.

Todos seguem presos preventivamente. O processo está na fase de alegações finais, e a data do julgamento ainda não foi definida.

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