Operação sobre Banco Master chega ao núcleo político e mira senador do PP
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 7 de maio, a 5ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional no caso envolvendo o Banco Master. O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, está entre os investigados.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Ao todo, foram expedidos dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, cumpridos no Piauí, em São Paulo, em Minas Gerais e no Distrito Federal. A decisão também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores no total de R$ 18,85 milhões.
PF apura suspeitas no entorno do Banco Master
A nova fase busca aprofundar a investigação sobre suposto esquema ligado ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição. Vorcaro está preso desde março, no contexto da operação que também apura a tentativa de compra do Master pelo BRB, banco público ligado ao Governo do Distrito Federal.
Segundo informações divulgadas sobre a decisão, os investigadores apuram se Ciro Nogueira teria recebido vantagens indevidas e usado o mandato para beneficiar interesses relacionados ao Banco Master. Esses pontos ainda são objeto de investigação e não representam condenação ou conclusão judicial.
A cautela aqui não é detalhe de estilo. É obrigação. Investigação aponta caminhos, mas prova, contraditório e decisão judicial é que definem responsabilidade. O resto é manchete querendo correr mais que o processo.
Defesa nega participação em ilícitos
Em nota, a defesa de Ciro Nogueira repudiou qualquer ilação de ilicitude sobre as condutas do senador, especialmente em sua atuação parlamentar. Os advogados afirmaram que ele pretende contribuir com a Justiça para esclarecer que não teve participação em atividades ilícitas nem nos fatos investigados.
A defesa também criticou medidas investigativas baseadas, segundo a nota, em troca de mensagens, sobretudo por terceiros. O comunicado foi assinado pelos advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.
Operação Compliance Zero já teve outras prisões
A 5ª fase ocorre depois de etapas anteriores que avançaram sobre o núcleo financeiro e jurídico do caso. Em 16 de abril, na 4ª fase da Compliance Zero, foram presos preventivamente o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro, apontado pela investigação como operador jurídico-financeiro do suposto esquema.
Nas quatro primeiras fases, a PF cumpriu 96 mandados de busca e apreensão em seis unidades da Federação: Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A pedido da PF e do Ministério Público, a Justiça determinou sequestro ou bloqueio de bens de investigados até o limite de R$ 27,7 bilhões, além do afastamento de investigados de eventuais cargos públicos.
Caso envolve banco privado e banco público
O caso Master tem impacto institucional porque envolve um banco privado em investigação e uma tentativa de aquisição pelo BRB, instituição pública do Distrito Federal. Esse cruzamento amplia o interesse público da apuração, pois coloca sob análise decisões financeiras, possíveis articulações políticas e riscos para a governança de um banco estatal.
A investigação também chega a um ponto politicamente sensível ao mirar um senador em exercício e dirigente nacional partidário. Por isso, a apuração dependerá de robustez documental, rastreamento financeiro e validação judicial das medidas tomadas até aqui.
Quando banco, política e dinheiro público entram na mesma sala, a porta precisa ficar aberta para fiscalização. E, nesse tipo de caso, transparência não é cortesia institucional. É freio de emergência.
Próximos passos dependem do STF
Como há autoridade com foro no Supremo, as medidas seguem sob supervisão do ministro André Mendonça. A partir das buscas, a PF poderá analisar documentos, aparelhos eletrônicos, mensagens e registros financeiros apreendidos, sempre dentro dos limites autorizados judicialmente.
O bloqueio de valores também será relevante para eventual ressarcimento ou garantia patrimonial, caso as suspeitas avancem para denúncia e futura responsabilização. Ainda assim, bloqueio patrimonial é medida cautelar. Não equivale a condenação.
A etapa atual indica que a Compliance Zero entrou em nova fase de apuração política. O desfecho, porém, dependerá menos do tamanho dos nomes citados e mais da força das provas. Em investigação séria, sobrenome pesa menos que documento.
Fontes e documentos:
– Delação de Vorcaro pode ampliar caso Banco Master (Fonte em Foco)
– Alckmin aposta no diálogo para destravar relação com EUA (Fonte em Foco)
– Senador Ciro Nogueira é alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero (Agência Brasil)
– Ciro Nogueira é alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero (Rádio Agência Nacional)
– Leia a íntegra da decisão que autoriza a 5ª fase da Compliance Zero (Poder360)

