Operação Exchange cumpre 24 mandados contra grupo suspeito de movimentar dinheiro do tráfico internacional
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 3 de julho, a Operação Exchange contra uma organização suspeita de lavar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas.
Mais de 50 policiais federais cumprem 13 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão temporária em quatro cidades paulistas.
As ordens judiciais são executadas em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. A 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo autorizou as medidas.
A Justiça também determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões.
Segundo a Polícia Federal, a análise inicial das transações identificou movimentações financeiras superiores a R$ 10 bilhões.
Grupo utilizava bancos, dinheiro e criptoativos
As investigações apontam que o grupo mantinha uma estrutura diversificada para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita.
O esquema teria utilizado transferências de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas.
Essa combinação dificulta o rastreamento do dinheiro porque distribui os recursos por diferentes meios, contas e empresas.
A PF investiga ainda outras atividades financeiras que podem ter sido usadas para dissimular a origem e o destino dos valores.
As autoridades não informaram quanto do montante bloqueado foi efetivamente localizado durante o cumprimento dos mandados.
O limite de R$ 10,4 bilhões corresponde ao valor máximo autorizado pela decisão judicial para o sequestro de patrimônio.
Operação ocorre após sanções dos Estados Unidos
A ação foi deflagrada dois dias depois de o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar sanções contra uma rede financeira acusada de atuar em benefício do Primeiro Comando da Capital.
O governo norte-americano incluiu na lista de sanções os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
Também foram atingidas três empresas sediadas no Brasil e uma companhia registrada em Portugal.
O Departamento do Tesouro afirma que a rede operava entre São Paulo e a Flórida e utilizava criptomoedas para transferir ao Brasil recursos obtidos nos Estados Unidos.
Segundo o órgão norte-americano, Shimada teria atuado como ligação entre operadores associados ao PCC na Flórida e traficantes estrangeiros.
O comunicado dos Estados Unidos atribui ao grupo a lavagem de mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em cidades norte-americanas.
As afirmações integram a fundamentação das sanções administrativas aplicadas pelo governo dos Estados Unidos. Elas não equivalem a uma condenação criminal definitiva no Brasil.
PF não divulgou oficialmente os nomes dos alvos
A nota oficial da Polícia Federal sobre a Operação Exchange não identifica os investigados nem menciona diretamente o PCC.
No entanto, fontes com conhecimento da investigação informaram à Reuters que a operação alcançou pessoas sancionadas pelo governo norte-americano.
Reportagens publicadas nesta sexta-feira também apontam Shimada como um dos principais alvos e Stella entre as pessoas alcançadas por mandados.
A responsabilização individual dependerá da análise das provas, do andamento do inquérito e de eventual processo judicial.
Até a conclusão dessas etapas, os investigados devem ser tratados como suspeitos.
Sanções bloqueiam ativos sob jurisdição americana
As sanções foram aplicadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, conhecido pela sigla Ofac.
Com a decisão, propriedades e interesses patrimoniais dos sancionados que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos e empresas norte-americanas devem ser bloqueados.
As restrições também alcançam empresas controladas em pelo menos 50% pelas pessoas incluídas na lista.
Em regra, cidadãos e companhias dos Estados Unidos ficam impedidos de realizar transações com os sancionados sem autorização específica.
O Tesouro norte-americano afirma que as medidas foram adotadas com base em normas destinadas ao combate ao tráfico internacional de drogas e ao financiamento de organizações classificadas pelo governo dos Estados Unidos.
Investigação pode alcançar outros crimes
A Polícia Federal informou que os envolvidos poderão responder, em tese, por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Outros delitos poderão ser acrescentados caso surjam novas evidências durante a investigação.
A lavagem de dinheiro ocorre quando recursos de origem criminosa passam por operações destinadas a esconder sua procedência e conferir aparência legal ao patrimônio.
Já a evasão de divisas pode ser caracterizada pela manutenção ou transferência irregular de recursos para o exterior.
A Operação Exchange busca interromper o fluxo financeiro atribuído ao grupo e preservar patrimônio para eventual reparação de danos.
Além das prisões temporárias, os materiais apreendidos serão analisados para identificar contas, carteiras de criptoativos, empresas e outras pessoas ligadas às transações.
Relacionadas, fontes e documentos:
– Mortes em ações policiais crescem 6,4% em nove estados (Fonte em Foco)
– Operação Anáfora investiga lavagem de recursos da saúde (Fonte em Foco)
– Rede nacional vai integrar proteção à pessoa idosa (Fonte em Foco)
– Chuvas exigem cuidado redobrado em trilhas e cachoeiras (Fonte em Foco)
– PF deflagra Operação Exchange (Polícia Federal)
– Polícia Federal faz operação para conter lavagem de dinheiro do PCC (Agência Brasil)

