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Novo Desenrola termina na segunda

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Programa permite descontos e parcelamento para consumidores com renda de até cinco salários mínimos

O Novo Desenrola Brasil termina na próxima segunda-feira (31). O programa do governo federal permite que pessoas físicas renegociem dívidas bancárias em atraso com descontos e condições especiais de pagamento.

A iniciativa atende consumidores com renda mensal de até cinco salários mínimos, atualmente R$ 8.105. Também é necessário que a dívida tenha sido contratada até 31 de janeiro de 2026 e esteja em atraso entre 91 dias e dois anos.

O prazo terminaria em 2 de agosto, mas foi prorrogado até o fim do mês. Até agora, não há previsão oficial de nova extensão. Por isso, quem pretende renegociar precisa procurar o banco antes do encerramento.

Prazo vale para fechar o acordo

O prazo de 31 de agosto vale para formalizar a renegociação, não apenas para iniciar o pedido.

Esse detalhe é decisivo. A instituição financeira precisa verificar se a dívida se enquadra nas regras, apresentar as condições disponíveis e concluir a contratação. Deixar para o último momento pode fazer o consumidor perder a janela do programa.

A recomendação prática é procurar o banco o quanto antes, conferir se a operação é elegível e comparar as condições oferecidas antes de assinar.

Quem pode participar

O Desenrola Famílias é voltado a pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos.

Além da renda, a dívida precisa cumprir três critérios: ter sido contratada até 31 de janeiro de 2026, estar em atraso entre 91 dias e dois anos e estar registrada em instituição financeira participante.

A própria instituição financeira verifica se o consumidor e a dívida atendem às regras. Essa checagem usa informações dos sistemas do banco e do Sistema de Informações de Crédito do Banco Central.

Isso significa que não basta o consumidor se encaixar no limite de renda. A dívida também precisa ser aceita pelo programa e pela instituição que aderiu à iniciativa.

Quais dívidas entram no programa

O Novo Desenrola alcança modalidades de crédito que costumam pesar muito no orçamento das famílias.

Podem ser renegociadas dívidas de cartão de crédito rotativo ou parcelado, cheque especial, crédito pessoal sem consignação em folha e empréstimos pessoais usados para consolidar outras dívidas.

Essas operações normalmente têm juros altos. Quando o atraso se acumula, o saldo cresce rápido e pode tornar a regularização quase impossível sem desconto ou alongamento do prazo.

A inclusão, porém, depende da análise do banco responsável. A participação das instituições financeiras é voluntária.

Descontos podem chegar a 90%

Os descontos variam conforme o tipo de crédito e o tempo de atraso.

Para dívidas do cartão rotativo e do cheque especial, os abatimentos podem chegar a 90% quando o atraso é de um a dois anos. Para crédito direto ao consumidor e parcelamento do cartão, o desconto pode chegar a 80% no mesmo intervalo.

Nem todo consumidor terá direito ao abatimento máximo. O percentual depende da modalidade da dívida, do tempo de atraso e das condições oferecidas pela instituição financeira.

Por isso, o consumidor deve olhar o valor final do acordo, não apenas o percentual anunciado. Um desconto alto pode parecer vantajoso, mas a parcela precisa caber no orçamento.

Novo crédito pode substituir a dívida antiga

Quando a renegociação é feita por meio de uma nova operação de crédito, o programa estabelece limites específicos.

As condições incluem juros máximos de 1,99% ao mês, prazo de até 48 meses, parcela mínima de R$ 50, limite de até R$ 15 mil por beneficiário em cada instituição financeira e primeira parcela em até 35 dias.

Na prática, o novo crédito substitui os débitos elegíveis por uma operação com regras definidas dentro do programa.

Essa troca pode ajudar quem está preso a juros muito altos. Mas também cria uma nova obrigação. Se o consumidor não conseguir pagar as parcelas, pode voltar ao ciclo de endividamento.

Não há plataforma única do governo

O consumidor não renegocia pela plataforma única do governo. Ele deve procurar diretamente a instituição financeira onde a dívida está registrada.

O atendimento pode ocorrer pelos canais oferecidos por cada banco, como aplicativo, internet banking, site, telefone, WhatsApp ou agência física.

Durante o atendimento, o banco informa se o débito é elegível e quais condições podem ser oferecidas. Entre as instituições participantes estão Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Nubank.

A orientação é usar apenas canais oficiais. Renegociação de dívida é um tema sensível e pode atrair golpes, especialmente em períodos de prazo final.

Nome limpo depende do pagamento da primeira parcela

A retirada da dívida dos cadastros de inadimplentes não acontece apenas com a assinatura do acordo.

Nas renegociações feitas por nova operação de crédito, a instituição financeira deve providenciar a baixa da dívida após o pagamento da primeira parcela.

Isso significa que a regularização depende do cumprimento do contrato. Assinar o acordo é o início do processo. Pagar corretamente é o que mantém a retomada do crédito.

FGTS pode ser usado em alguns casos

Uma das possibilidades do Novo Desenrola é usar recursos do FGTS para amortizar ou quitar a dívida renegociada.

Podem ser usados valores de contas ativas e inativas, com prioridade para as contas inativas. O trabalhador pode utilizar o maior valor entre até R$ 1 mil ou até 20% do saldo disponível.

A utilização depende da contratação da operação, da autorização do trabalhador e dos procedimentos da instituição financeira. Para autorizar o uso do saldo, o consumidor deve acessar o aplicativo FGTS, consultar o valor disponível e permitir o compartilhamento da quantia com o banco responsável pela dívida.

Depois da autorização, os bancos têm até 30 dias para formalizar o contrato com a Caixa Econômica Federal, que faz a transferência do valor diretamente à instituição financeira.

Banco não é obrigado a renegociar

A participação das instituições financeiras é voluntária.

Mesmo que o consumidor cumpra os critérios de renda e tenha uma dívida dentro das regras gerais, a renegociação só será possível se o banco ou financeira responsável tiver aderido ao programa e oferecer a operação.

Esse ponto evita uma expectativa falsa. O programa cria uma janela e define condições, mas a negociação concreta ocorre com cada instituição participante.

Desenrola também tem outras modalidades

O Novo Desenrola inclui frentes diferentes além da modalidade voltada a famílias inadimplentes.

O Desenrola Adimplente atende consumidores que estão com os pagamentos em dia, mas desejam reduzir o custo de empréstimos já contratados. A ideia é substituir operações mais caras por crédito com condições melhores antes que a dívida entre em atraso.

Também há regras específicas para outros públicos, como estudantes com dívidas do Fies, produtores rurais e micro e pequenas empresas. No caso do Desenrola Fies, o FNDE informa que o prazo de adesão também termina em 31 de agosto.

O que conferir antes de fechar acordo

O consumidor deve comparar o valor total a pagar, a taxa de juros, o número de parcelas, o vencimento da primeira prestação e as consequências de um novo atraso.

Também precisa confirmar se a dívida será retirada dos cadastros de inadimplentes após o pagamento da primeira parcela, quando essa regra se aplicar.

Renegociar pode ser uma boa saída quando a nova parcela cabe na renda. Mas um acordo feito sem cálculo pode apenas trocar uma dívida velha por uma dívida nova.

A pergunta mais importante é simples: depois do acordo, a parcela cabe no mês sem empurrar outras contas para o atraso?

O que o fim do prazo revela sobre a vida financeira das famílias

O Novo Desenrola chega ao fim com milhões de dívidas renegociadas e uma mensagem clara: o endividamento deixou de ser exceção na vida de muitas famílias brasileiras.

A dívida bancária pesa mais quando nasce em produtos caros, como cartão de crédito e cheque especial. O atraso começa pequeno, cresce com juros e, em pouco tempo, vira uma bola difícil de parar.

O programa oferece uma chance de reorganização. Mas não resolve sozinho o problema de renda curta, custo de vida alto e crédito caro.

Para o consumidor, o melhor acordo é aquele que devolve previsibilidade. Desconto importa. Nome limpo importa. Mas a renegociação só vira recomeço quando cabe no orçamento e não empurra a família para uma nova rodada de aperto.

Relacionadas, fontes e documentos:

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