Programa garante mobilidade e autonomia a pacientes atendidos pela rede pública
Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida temporária ou permanente podem solicitar gratuitamente cadeiras de rodas, próteses, órteses e outros equipamentos pela rede pública de saúde do Distrito Federal.
Cadeiras de rodas gratuitas atenderam 8,5 mil pessoas
O Programa de Órtese e Prótese da Secretaria de Saúde do Distrito Federal distribuiu 8.542 cadeiras de rodas entre janeiro de 2023 e 27 de maio de 2026.
Foram entregues 6.226 unidades entre 2023 e 2025. Somente nos primeiros cinco meses deste ano, outras 2.316 cadeiras foram disponibilizadas à população.
O investimento anual destinado à compra dos equipamentos é de R$ 8,75 milhões.
A cadeira de rodas pode representar a diferença entre permanecer dependente de familiares e conseguir estudar, trabalhar, frequentar serviços de saúde e realizar tarefas cotidianas com maior autonomia.
O equipamento, contudo, precisa ser compatível com as condições físicas e funcionais de cada pessoa. Por isso, a concessão não ocorre apenas mediante a entrega de um pedido médico. O paciente passa por avaliação especializada para definição do modelo adequado.
Veja quem pode solicitar o equipamento
O programa atende pessoas com deficiência física e pacientes com comprometimento temporário ou permanente da locomoção.
Podem ser contempladas pessoas com:
- sequelas de acidente vascular cerebral;
- paralisias;
- lesões medulares;
- amputações;
- limitações motoras;
- dificuldades de locomoção decorrentes de doenças ou acidentes;
- condições clínicas que exijam apoio permanente ou temporário.
Crianças, adultos e pessoas idosas podem receber os equipamentos, desde que a necessidade seja confirmada por avaliação funcional realizada por profissionais de saúde.
O fornecimento não se limita às cadeiras convencionais. A rede dispõe de diferentes modelos, escolhidos conforme medidas corporais, postura, capacidade motora e rotina do usuário.
Cadastro deve ser feito na estação da 114 Sul
O primeiro passo é comparecer ao Núcleo de Atendimento Ambulatorial de Órteses, Próteses e Materiais Especiais, conhecido como Naopme.
A unidade fica na Praça do Cidadão, dentro da estação de metrô da 114 Sul, nas salas 6 e 7.
Para fazer o cadastro, o paciente ou responsável deve apresentar os documentos originais:
- documento de identidade com foto ou certidão de nascimento;
- CPF;
- Cartão Nacional do SUS;
- número de cadastro na Secretaria de Saúde;
- comprovante de residência atualizado;
- laudo, pedido médico ou solicitação de outro profissional da rede pública.
O documento emitido pelo profissional de saúde deve demonstrar a necessidade da cadeira, prótese, órtese ou meio auxiliar de locomoção solicitado.
Depois do cadastro, o paciente recebe agendamento para avaliação com um especialista da Secretaria de Saúde.
Entrega depende da avaliação e do estoque
Durante a avaliação, o profissional verifica as condições funcionais do paciente e define qual equipamento atende melhor às necessidades identificadas.
Depois dessa etapa, o usuário entra na fila correspondente ao produto solicitado. A entrega segue a ordem de cadastro e depende da disponibilidade no estoque.
Alguns itens podem ser entregues imediatamente quando estão disponíveis. Produtos feitos sob medida, como determinadas próteses, órteses, coletes e palmilhas, exigem moldagem e confecção.
A convocação para retirada é feita por telefone. Conforme o equipamento, a entrega pode ocorrer no próprio Naopme ou no Núcleo de Produção de Órteses e Próteses, instalado no SIA.
Não há cobrança pelos produtos fornecidos pelo programa.
SUS também oferece andadores, muletas e próteses
Além das cadeiras de rodas, a Oficina Ortopédica fornece outros recursos de reabilitação e mobilidade.
Entre os produtos disponíveis estão:
- cadeiras de banho;
- bengalas;
- andadores;
- muletas;
- palmilhas;
- calçados especiais;
- coletes;
- órteses para membros superiores e inferiores;
- próteses de braços e pernas;
- próteses mamárias externas;
- aparelhos de pressão positiva para distúrbios respiratórios.
A concessão de cada item depende da indicação clínica e da avaliação da equipe multiprofissional.
Cadeiras de rodas, cadeiras de banho, palmilhas e calçados especiais estão entre os produtos mais procurados.
O serviço entregou 6.232 itens em 2023, 7.951 em 2024 e 5.389 em 2025. Até 27 de maio de 2026, haviam sido dispensados outros 5.117 produtos.
Usuário compara cadeira a uma extensão do corpo
O aposentado Manoel Marçones Feitosa, de 53 anos, utiliza o programa desde 2003, depois de sofrer uma lesão medular.
Ele afirma que a cadeira passou a fazer parte de sua rotina e permitiu maior independência nos deslocamentos.
“Para as pessoas com deficiência, a cadeira de rodas passa a ser uma extensão do corpo. A necessidade dela para a nossa locomoção é fundamental”, relatou.
Manoel participa atualmente de um curso de montagem e manutenção de cadeiras de rodas em Ceilândia.
Segundo ele, uma cadeira adequada pode custar cerca de R$ 2 mil, valor que muitas famílias não conseguem pagar. Modelos especiais ou motorizados podem ter preços consideravelmente maiores.
Equipamento inadequado pode limitar a autonomia
Uma cadeira de rodas não deve ser escolhida apenas pelo tamanho aparente ou pelo preço.
Largura do assento, altura do encosto, apoio para os pés, inclinação, sustentação postural e tipo de propulsão interferem diretamente no conforto e na segurança.
Um modelo inadequado pode provocar dores, lesões de pele, dificuldades respiratórias, deformidades posturais e maior dependência de terceiros.
Por isso, a avaliação especializada é parte essencial do atendimento. O objetivo não é apenas entregar uma cadeira, mas fornecer um equipamento que permita uso seguro e compatível com a rotina do paciente.
Devolução permite recuperar e reaproveitar equipamentos
A Secretaria de Saúde incentiva a devolução das cadeiras que deixaram de ser utilizadas.
Isso pode acontecer após recuperação da mobilidade, mudança de condição clínica, substituição do equipamento ou falecimento do beneficiário.
A devolução não é obrigatória para solicitar uma nova cadeira. Os equipamentos recebidos podem, porém, passar por manutenção e ser destinados a outros pacientes.
Quando a recuperação completa não é possível, peças em boas condições podem ser reaproveitadas na montagem ou manutenção de outras unidades.
A medida reduz desperdícios e ajuda a ampliar a capacidade do programa. Em uma política pública sujeita à disponibilidade de estoque, uma cadeira parada em casa pode representar meses adicionais de espera para outra pessoa.
Serviço precisa acompanhar fila e manutenção
O volume de equipamentos entregues demonstra a dimensão da demanda por recursos de mobilidade no Distrito Federal.
O resultado do programa, entretanto, não deve ser medido apenas pela quantidade distribuída. Também são relevantes o tempo de espera, a adequação do modelo, a manutenção e a substituição quando há mudança nas condições do paciente.
Cadeira de rodas não é acessório nem favor administrativo. É um recurso de saúde, mobilidade e participação social.
A entrega coloca o equipamento sob o usuário. A política só cumpre integralmente sua função quando também permite que essa pessoa chegue, com segurança, aos espaços dos quais tem o direito de participar.
relacionadas , fontes e documentos:
– Centros ajudam mulheres a romper ciclos no DF (Fonte em Foco)
– Aluguel Social atende 1,3 mil mulheres vítimas no DF (Fonte em Foco)
– Transporte gratuito garante almoço (Fonte em Foco)
– Cartão ajuda moradora a reconstruir casa após incêndio (Fonte em Foco)
– Órtese e prótese (Secretaria de Saúde do Distrito Federal)
– Órtese e Prótese e informações de atendimento (Secretaria de Saúde do Distrito Federal)
– Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (Secretaria de Saúde do Distrito Federal)

