Publicidade
InícioBrasíliaSaúde DFTeste DNA-HPV no DF amplia rastreio contra câncer

Teste DNA-HPV no DF amplia rastreio contra câncer

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

Cobertura relacionada

Farmácia de Taguatinga pausa atendimento

Atendimento será interrompido temporariamente para conferência anual de estoque; serviço volta na sexta às 13h15.

Caso Isabelle Caracristi alerta sobre violência psicológica

Inquérito sobre morte de Isabelle Caracristi terminou com indiciamento por violência psicológica e fraude processual.

DF endurece regras para clínicas de estética e mira segurança

A Vigilância Sanitária do Distrito Federal, órgão da Secretaria...

Brasil registra um caso de violência política a cada 44 horas

Levantamento aponta um caso de violência política a cada 44 horas no país entre outubro de 2024 e agosto de 2026.

Renda protegida contra a violência às mulheres

Parecer da AGU obriga administração federal a aplicar decisão do STF sobre afastamento remunerado de vítimas de violência doméstica.

Cuidado é assunto de Estado

Guia de políticas de cuidado reúne orientações para quem cuida e explica direitos previstos na Política Nacional de Cuidados.
Publicidade

Mulheres do DF terão exame mais preciso para prevenir câncer de colo do útero

O Distrito Federal começou a testar na rede pública um novo modelo de rastreamento do HPV, vírus associado à maioria dos casos de câncer de colo do útero. O projeto-piloto é conduzido pelo Lacen-DF e utiliza o exame molecular DNA-HPV, tecnologia mais sensível que permite identificar tipos de alto risco antes do surgimento de lesões.

A mudança tem efeito direto para mulheres atendidas pelo SUS. Em vez de depender apenas da detecção de alterações celulares já instaladas, o novo exame busca identificar a presença do vírus em etapa anterior. Na saúde pública, essa diferença pode significar diagnóstico mais cedo, menos procedimentos desnecessários e acompanhamento mais adequado.

Projeto-piloto mira 3,5 mil mulheres até junho

Iniciado em março, o projeto já analisou cerca de 500 amostras de pacientes das regiões de saúde Sudoeste e Oeste. A primeira área inclui Águas Claras, Recanto das Emas, Samambaia, Taguatinga, Vicente Pires e Água Quente. Já a segunda abrange Brazlândia, Ceilândia e Pôr do Sol/Sol Nascente.

A meta é atender 3,5 mil mulheres até o fim de junho. Além disso, a fase inicial servirá para medir gargalos de coleta, transporte de amostras, processamento laboratorial, liberação de resultados e acompanhamento das pacientes pela atenção primária.

Esse ponto é decisivo. Exame moderno sem fluxo organizado vira promessa de jaleco. A tecnologia importa, mas a engrenagem da rede precisa funcionar do posto de saúde ao laboratório e do laudo ao encaminhamento.

DNA-HPV identifica tipos de alto risco

O exame detecta 14 genótipos do papilomavírus humano associados a maior risco oncogênico. Entre eles, os tipos 16 e 18 exigem atenção especial por estarem relacionados a cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero, conforme dados técnicos do INCA.

Quando o resultado indica presença dos tipos 16 ou 18, a paciente deve ser encaminhada para colposcopia. Quando há detecção de outros tipos de HPV de alto risco, a mesma amostra pode seguir para citologia reflexa, realizada para verificar se já existem alterações celulares.

Por outro lado, resultado positivo para HPV não significa diagnóstico de câncer. A infecção é comum, pode regredir espontaneamente e precisa ser interpretada conforme o tipo viral, a avaliação citológica e a conduta clínica indicada para cada caso.

Coleta é semelhante ao papanicolau

A coleta é feita de forma parecida com o papanicolau, na região do colo do útero, com uso de espátula e escovinha. Depois, a amostra segue para análise por PCR, técnica de biologia molecular usada para detectar o material genético do vírus.

Quando o resultado é negativo, a recomendação informada para o novo modelo é repetir o exame em cinco anos. Isso ocorre porque a maior sensibilidade do teste permite ampliar o intervalo de rastreamento com mais segurança, desde que a mulher siga acompanhada pela rede de saúde.

As amostras são coletadas nas UBSs e encaminhadas ao Lacen-DF. Depois da liberação dos resultados, as equipes da atenção primária ficam responsáveis por orientar as pacientes e realizar os encaminhamentos necessários.

Rastreamento do HPV entra em nova fase no SUS

A incorporação do DNA-HPV ao SUS foi definida pelo Ministério da Saúde e ocorre de forma gradual em 12 estados. A diretriz nacional prevê rastreamento organizado, com prioridade inicial para mulheres com maior risco de desenvolver a doença.

A mudança também reorganiza a lógica da prevenção. O papanicolau identifica alterações celulares. Já o DNA-HPV antecipa a busca pelo principal fator associado ao câncer de colo do útero. Portanto, a rede passa a olhar antes para o risco e não apenas para a lesão.

No DF, o teste inicial precisa responder a uma pergunta simples e incômoda: a rede está preparada para transformar diagnóstico precoce em cuidado contínuo? A resposta dependerá menos do equipamento e mais da capacidade de garantir fila organizada, retorno da paciente, encaminhamento rápido e informação clara.

Prevenção precisa chegar antes da doença

O avanço é relevante porque o câncer de colo do útero é uma doença com alto potencial de prevenção. A vacinação contra o HPV, o rastreamento adequado e o tratamento de lesões precursoras formam a linha de defesa mais eficiente.

No entanto, o sucesso depende de acesso. Mulheres fora do rastreamento regular, com dificuldade de chegar à UBS ou sem acompanhamento contínuo seguem mais expostas. Por isso, a implantação do DNA-HPV deve ser acompanhada de busca ativa, educação em saúde e comunicação simples.

A boa notícia é que o DF entra cedo em uma tecnologia que pode melhorar a prevenção. A parte que exige vigilância é a de sempre: no SUS, inovação só muda vidas quando atravessa o balcão, chega ao prontuário e volta em forma de cuidado.

Fontes e documentos:

– Câncer de colo de útero: DF é um dos pioneiros na realização de exame inovador (Secretaria de Saúde do DF)
– Ministério da Saúde oferta tecnologia inovadora para detectar câncer do colo do útero no SUS (Ministério da Saúde)
– Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (Ministério da Saúde)
– Exercícios aliviam efeitos da hormonioterapia pós-câncer (Fonte em Foco)
– Brasil terá 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028 (Fonte em Foco)
– CLDF realiza sessão solene pelo Dia Mundial do Câncer (Fonte em Foco)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.