back to top
24 C
Brasilia
terça-feira, 12 maio 2026, 18:47:11
Publicidade
Publicidade
InícioBrasíliaPesquisa do DF valida fita de cobre contra infecções

Pesquisa do DF valida fita de cobre contra infecções

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Janaina Lemos

Cobertura relacionada

Anvisa tira produtos Ypê de uso por risco sanitário

Produtos Ypê com lote final 1 devem sair de uso após decisão da Anvisa por falhas graves e risco sanitário.

GDF fará ação social em 23 pontos do Plano Piloto

Situação de rua terá ação do GDF em 23 pontos do Plano Piloto, com oferta de assistência social e desmonte de estruturas.

Fiscalização reforçada em restaurantes para o Dia das Mães

Dia das Mães terá fiscalização reforçada no DF após apreensão de 376 kg de alimentos impróprios. Veja cuidados.

Maio Laranja reforça proteção de crianças no DF

Maio Laranja terá ações em escolas, blitzes e rede ampliada no DF para proteger crianças e adolescentes da violência.

Detran autua 64 infrações em vagas especiais no DF

Vagas especiais foram alvo de operação do Detran-DF em Águas Claras, com 64 infrações e um veículo removido.

GDF limita gastos para fechar o ano no azul

Gastos do GDF terão controle maior, e órgãos só poderão assumir despesas com dinheiro disponível em caixa. Entenda.
Publicidade

Uma pesquisa apoiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) alcançou repercussão internacional ao comprovar, em condições clínicas reais, a eficácia de uma fita antimicrobiana à base de cobre no controle da contaminação em superfícies hospitalares. Os resultados foram publicados em dezembro de 2025 no periódico científico Antibiotics, referência mundial nas áreas de controle de infecções e resistência microbiana.

O estudo, intitulado Atividade antimicrobiana e caracterização de uma fita polimérica complexada com cobre validada para aplicações em desinfecção de superfícies, é coordenado pela biomédica Andreanne Vasconcelos, doutora em Ciências Médicas pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora da University of Lincoln, no Reino Unido. Ela também é CEO da People&Science Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, sediada na UnB, e vencedora do Prêmio FAPDF 2025, na categoria Startup Inovadora — Não Acelerada.

Validação em ambiente hospitalar real

O apoio da FAPDF foi decisivo para garantir a validação da tecnologia tanto em laboratório quanto em ambiente hospitalar real, por meio do edital Demanda Espontânea. O fomento assegurou rigor científico, infraestrutura adequada e ampliou a cooperação internacional, incluindo a visita técnica da pesquisadora à University of Lincoln, viabilizada pelo edital FAPDF Participa.

A pesquisa avaliou o desempenho contínuo da tecnologia em superfícies de alto toque, como torneiras, corrimãos, maçanetas e braços de cadeiras, demonstrando redução significativa da carga microbiana ao longo de 19 semanas de uso em um hospital universitário brasileiro. O trabalho envolveu instituições do Brasil e do Reino Unido, fortalecendo a inserção da ciência produzida no Distrito Federal no cenário internacional.

“Esse fomento foi essencial não apenas para a realização do projeto, mas também para minha trajetória como jovem pesquisadora. Fortaleceu minha formação, ampliou minhas oportunidades de colaboração internacional e reforçou meu compromisso em seguir produzindo ciência de impacto no Brasil”, afirma Andreanne Vasconcelos.

Tecnologia simples, impacto permanente

Apesar da aparência simples, a fita antimicrobiana representa uma solução tecnológica sofisticada para um dos principais desafios da saúde pública: o controle da contaminação em superfícies. A tecnologia consiste em um revestimento adesivo flexível, no qual o cobre, metal reconhecido por sua ação antimicrobiana natural, é incorporado a uma matriz polimérica, permitindo aplicação direta em superfícies existentes, sem necessidade de reformas estruturais.

Segundo a coordenadora do estudo, a principal vantagem está na atuação contínua. “Diferentemente dos métodos tradicionais, que dependem de limpezas frequentes e do comportamento humano, a fita atua o tempo todo, eliminando microrganismos sempre que entram em contato com a superfície”, explica.

Na prática, a superfície passa a se autodesinfectar, reduzindo a sobrevivência e a multiplicação de bactérias e fungos. Essa característica é especialmente relevante em ambientes hospitalares, onde a recontaminação ocorre rapidamente, mesmo após procedimentos de higienização.

Próximos passos e impacto no SUS

Com os resultados consolidados, a pesquisa avança agora para novas etapas, que incluem a ampliação dos estudos para ambientes de grande circulação, como transporte público e instituições de ensino, além da busca pelo registro da tecnologia junto à Anvisa. A equipe também pretende dialogar com o poder público para, futuramente, viabilizar a incorporação da solução no Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, o reconhecimento internacional reforça a importância do investimento público em ciência. “Quando uma pesquisa apoiada pela FAPDF alcança esse nível de reconhecimento, fica claro que o investimento em ciência gera resultados concretos e relevantes para a sociedade. É a prova de que nossos pesquisadores têm capacidade de produzir conhecimento de alto nível e transformar ciência em soluções aplicáveis”, afirma.

Ciência local com alcance global

O estudo integra uma ampla rede de colaboração científica internacional, envolvendo instituições do Brasil, da Europa e pesquisadores de diferentes áreas. A parceria com a University of Lincoln e o The Bridge permitiu acesso a metodologias avançadas, equipamentos especializados e troca de conhecimentos técnicos, ampliando a robustez dos resultados.

Além disso, a pesquisa avaliou, em território brasileiro, uma tecnologia desenvolvida originalmente na França, conferindo caráter global ao estudo ao testar sua eficácia em diferentes contextos climáticos, geográficos e epidemiológicos.

“A ciência é, por natureza, colaborativa. Avaliar uma tecnologia europeia em um hospital brasileiro, em parceria com grupos do Reino Unido, gera evidências mais robustas e relevantes para diferentes realidades”, resume Andreanne.

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.