Publicidade
InícioBrasilEconomiaFocus mantém PIB e inflação estáveis para 2026

Focus mantém PIB e inflação estáveis para 2026

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Fabíola Fonseca

Cobertura relacionada

IPCA sobe 0,82% e inflação volta a superar meta

Inflação oficial de setembro acelera para 0,82%, maior nível desde março, com pressão da conta de luz, alimentos e transportes.

Mercado eleva previsão da inflação para 5,22% em 2026

Boletim Focus mostra quarta alta seguida na projeção do IPCA de 2026, manutenção do PIB em 1,85% e queda da estimativa da Selic.

Mercado passa a prever Selic de 13,75% no fim de 2026

Mercado prevê Selic de 13,75% no fim de 2026 e inflação de 5,3%. Entenda os efeitos sobre crédito, consumo e economia brasileira.

Inflação maior e PIB menor

Mercado financeiro eleva projeção de inflação, reduz crescimento do PIB e mantém estimativas para Selic e dólar no Focus.

Copom decide juros sob pressão dos combustíveis

Selic pode cair mesmo com inflação pressionada por alta nos combustíveis; entenda a decisão do Copom nesta quarta. © Marcello Casal JrAgência Brasil

Mercado espera corte da Selic para 13,75% nesta semana

Selic deve cair para 13,75%, segundo o mercado. Focus também reduz projeção de inflação e PIB para 2026.
Publicidade

Mercado mantém projeções de crescimento e inflação para 2026

As previsões do mercado financeiro para os principais indicadores da economia brasileira em 2026 ficaram praticamente paradas na edição desta segunda-feira, 9 de março, do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. A estimativa para o PIB permaneceu em 1,82%, enquanto a projeção para o IPCA seguiu em 3,91%. O dado que se mexeu foi a expectativa para a Selic no fim do ano, que subiu de 12% para 12,13%.

Para 2027, o mercado continuou projetando crescimento de 1,8%. Já para 2028 e 2029, a expectativa é de expansão de 2% em ambos os anos. No câmbio, a mediana do Focus aponta o dólar a R$ 5,41 no fim de 2026 e a R$ 5,50 no encerramento de 2027.

PIB desacelera após crescimento de 2,3% em 2025

A nova fotografia do Focus indica um 2026 de crescimento mais fraco do que o observado em 2025, quando a economia brasileira avançou 2,3%, segundo o IBGE. O resultado marcou o quinto ano seguido de expansão e foi puxado por alta em todos os grandes setores, com destaque para a agropecuária, que cresceu 11,7%.

Esse contraste ajuda a explicar o clima de cautela do mercado. O país saiu de um ano robusto para uma projeção mais contida, ainda sob efeito de juros elevados, crédito mais caro e atividade perdendo tração. Não é recessão, mas também está longe de empolgar. Economia de freio puxado não faz milagre; no máximo evita derrapagem feia.

Inflação segue dentro da meta, mas ainda acima do centro

No caso da inflação, a projeção para 2026 ficou em 3,91%, dentro do intervalo de tolerância do sistema de metas, que tem centro em 3% e margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Para 2027, a estimativa subiu levemente de 3,79% para 3,8%. Para 2028 e 2029, o mercado espera 3,5% em ambos os anos.

O número está tecnicamente dentro da banda, mas continua acima do centro da meta. Traduzindo sem maquiagem: a inflação parece menos ameaçadora do que já foi, porém ainda não virou assunto resolvido. E o Banco Central não costuma soltar os juros só porque o mercado resolveu respirar melhor na segunda-feira.

Janeiro já mostrou pressão em preços administrados

Os dados mais recentes do IBGE ajudam a entender a cautela. Em janeiro de 2026, o IPCA ficou em 0,33%, repetindo a taxa de dezembro. No acumulado em 12 meses, a inflação chegou a 4,44%. Segundo o instituto, o resultado foi pressionado, entre outros fatores, pela alta da energia elétrica e da gasolina. A inflação de fevereiro será divulgada pelo IBGE em 12 de março.

É esse tipo de pressão que mantém o BC em modo vigilância. Quando combustível e conta de luz entram no jogo, a inflação deixa de ser abstração de economista e volta a aparecer na planilha da família, na tarifa e no supermercado. A macroeconomia adora sigla; a vida real prefere preço.

Selic continua alta, mas mercado já vê queda no horizonte

Hoje, a Selic está em 15% ao ano, nível mantido pelo Copom na reunião de janeiro. Segundo a ata, o comitê considerou essa taxa compatível com a estratégia de convergência da inflação e indicou que poderá iniciar um ciclo de redução em março, caso o cenário siga comportado e sem surpresas relevantes. Ainda assim, a sinalização é de manutenção de juros em nível restritivo.

No Focus desta semana, a expectativa para a taxa básica no fim de 2026 subiu para 12,13%. Para 2027, a previsão ficou em 10,5%; para 2028, em 10%; e, para 2029, em 9,5%. Ou seja, o mercado continua vendo espaço para cortes, mas num ritmo cauteloso, sem fantasia de tombo brusco.

O mercado estabilizou a projeção, não a economia

O Focus desta semana passa uma mensagem objetiva: o mercado parou de piorar as projeções para PIB e IPCA de 2026, mas isso não significa que a economia entrou em terreno confortável. Crescimento de 1,82% é modesto para um país que precisa gerar renda, investimento e emprego em escala. Inflação de 3,91% é administrável, mas continua acima do centro da meta. E juros acima de 12% no fim do ano ainda desenham um ambiente de crédito caro e expansão contida.

Em outras palavras, o boletim trouxe estabilidade estatística, não bonança econômica. O mercado parece dizer ao BC: dá para começar a aliviar, mas sem entusiasmo juvenil. Porque, no Brasil, basta um tropeço no câmbio, uma surpresa na inflação ou um ruído fiscal mais barulhento para o otimismo voltar a ser apenas um hobby caro.

Fontes e documentos:
– Focus Relatório de Mercado de 6 de março de 2026 (Banco Central do Brasil)
– Comunicado da 276ª reunião do Copom: Selic mantida em 15,00% ao ano (Banco Central do Brasil)
– Atas do Comitê de Política Monetária – Copom (Banco Central do Brasil)
– PIB cresce 2,3% em 2025 e fecha o ano em R$ 12,7 trilhões (IBGE)
– Inflação – IPCA do último mês e acumulado em 12 meses (IBGE)
– Aprimoramento do sistema de metas para a inflação no Brasil (Banco Central do Brasil)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.