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PF prende hacker ligado ao caso Banco Master

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Foragido do caso Banco Master é preso após deportação de Dubai

A Polícia Federal prendeu neste sábado, 16 de maio, o hacker Victor Lima Sedlmaier, investigado na 6ª fase da Operação Compliance Zero, que apura o escândalo financeiro envolvendo o Banco Master e o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro. Sedlmaier era considerado foragido porque havia mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal. Ele foi localizado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, após ação conjunta da PF, da Interpol e da polícia local.

Victor Sedlmaier foi preso ao desembarcar em Guarulhos

Segundo a Polícia Federal, as autoridades brasileiras acionaram mecanismos de cooperação policial internacional junto aos Emirados Árabes Unidos, onde o investigado tentava entrar. A atuação conjunta resultou na não admissão de Sedlmaier no país e na deportação imediata ao Brasil.

A prisão ocorreu após o desembarque no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. O mandado havia sido autorizado no âmbito da investigação conduzida no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça.

A captura reforça o avanço da fase mais recente da operação sobre estruturas que, segundo a investigação, teriam atuado fora do núcleo financeiro do caso. A apuração agora mira também grupos supostamente usados para monitoramento, intimidação e ataques digitais contra pessoas consideradas desafetas de Henrique Vorcaro e Daniel Vorcaro.

Operação Compliance Zero mira grupos de intimidação

A 6ª fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada na quinta-feira, 14 de maio, com mandados de prisão preventiva e busca e apreensão expedidos pelo STF. Entre os presos está Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, ele teria desempenhado papel central no gerenciamento do grupo chamado A Turma, apontado nas investigações como uma espécie de milícia pessoal ligada ao ex-banqueiro.

Os principais alvos dessa etapa são os grupos denominados A Turma e Os Meninos. Conforme relatório encaminhado pela PF ao Supremo, os dois grupos seriam formados por agentes que realizavam ações de monitoramento e intimidação de desafetos de Henrique e Daniel Vorcaro.

No caso de Sedlmaier, a suspeita é de participação no grupo Os Meninos, descrito pela investigação como núcleo especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal. A defesa do investigado deverá ter espaço para se manifestar no processo, e a prisão não representa condenação.

Investigação aponta vínculo entre pai de Vorcaro e grupo

Na decisão que autorizou medidas da nova fase, o ministro André Mendonça registrou que Henrique Vorcaro não apenas teria se beneficiado de serviços ilícitos atribuídos ao grupo A Turma, mas também os solicitado e financiado, mantendo contato com operadores mesmo após o avanço das investigações.

A existência dessa estrutura teria sido identificada a partir de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. Com o avanço da apuração, a PF também passou a reunir elementos obtidos no celular do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, preso em março na 3ª fase da operação.

As investigações anteriores já apontavam suspeitas de ameaças, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de sistemas e atuação de organização criminosa. Em março, a Associated Press registrou que a PF apurava possíveis crimes contra o sistema financeiro, além de congelamento de ativos bilionários no contexto do caso Banco Master.

Caso Master ultrapassa a fronteira financeira

A prisão de Victor Sedlmaier amplia a dimensão pública da Operação Compliance Zero. O caso começou associado a suspeitas de fraude bilionária no sistema financeiro, mas passou a expor uma camada mais sensível: a possível montagem de estruturas paralelas de vigilância, intimidação e ataque digital.

Essa mudança é relevante porque desloca a investigação de um debate apenas bancário para uma discussão institucional mais ampla. Se confirmadas as suspeitas, o caso não trataria somente de números, balanços e operações financeiras. Trataria também do uso de tecnologia, informação e medo como instrumentos de proteção de interesses privados.

Ainda há etapas processuais pela frente, e os investigados têm direito à defesa. Mas o roteiro revelado até aqui é grave. Quando dinheiro, poder econômico e estruturas clandestinas se encontram, o risco deixa de ser apenas contábil. Passa a ser democrático. Fraude financeira esvazia cofres. Intimidação organizada tenta esvaziar o próprio Estado de Direito.

O que falta esclarecer na apuração

A investigação ainda precisa detalhar qual teria sido o papel específico de cada investigado, quais ações digitais foram efetivamente executadas, quem teria financiado essas atividades e se houve relação direta entre os ataques atribuídos aos grupos e os interesses de Daniel e Henrique Vorcaro.

Também será necessário esclarecer a extensão dos dados obtidos, se houve invasão de sistemas, quais vítimas foram monitoradas e se agentes públicos ou privados participaram da estrutura. É nessa etapa que a apuração separa narrativa de prova, suspeita de responsabilidade e vínculo político ou empresarial de conduta criminosa comprovada.

Fontes e documentos:

Dino apura emendas ligadas ao filme de Bolsonaro (Fonte em Foco)
PF prende pai de Vorcaro em nova fase da Compliance Zero (Fonte em Foco)
Mendonça cobra delação efetiva no caso Master (Fonte em Foco)
TSE vê IA como desafio central nas eleições (Fonte em Foco)
– Em ação com a Interpol, PF prende em Dubai hacker do caso Banco Master (Agência Brasil)

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