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Brasil envia hospital de campanha e remédios à Venezuela

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Ajuda humanitária reforça buscas e atendimento médico

O Brasil mobilizou três voos para levar equipes de resgate, um hospital de campanha, medicamentos e equipamentos de purificação de água às áreas atingidas pelos terremotos na Venezuela. O terceiro avião tem partida prevista para a tarde deste sábado (27), da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.

A nova carga reúne cinco kits de calamidade, com 111,8 mil medicamentos e insumos, além do módulo complementar necessário para instalar a estrutura hospitalar enviada horas antes.

Somados, os kits têm capacidade para atender até 7,5 mil pessoas durante um mês. A operação busca ampliar o socorro imediato, apoiar as buscas sob os escombros e restabelecer parte da capacidade de atendimento médico nas regiões afetadas.

Terceiro voo leva medicamentos e completa hospital

A carga preparada para o terceiro voo ultrapassa uma tonelada e contém antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios e soluções injetáveis.

Também estão sendo enviados materiais utilizados em curativos e procedimentos de emergência, como ataduras, gazes, seringas, luvas, máscaras, esparadrapos e dispositivos para infusão de medicamentos.

Cada kit de calamidade foi dimensionado para atender até 1.500 pessoas durante um mês. Com cinco unidades, a capacidade conjunta chega a 7.500 pacientes, embora o número efetivamente atendido dependa da demanda, da disponibilidade das equipes e das condições de funcionamento dos serviços locais.

A carga foi separada e conferida durante uma operação logística realizada entre quinta e sexta-feira.

O governo informa que a doação não reduz os estoques destinados ao abastecimento regular do Sistema Único de Saúde.

Segundo avião transporta unidade avançada de trauma

O segundo voo partiu da Base Aérea do Galeão na manhã deste sábado com a unidade avançada de trauma do Hospital de Campanha da Marinha.

A aeronave também transporta profissionais de saúde, equipamentos hospitalares e cem purificadores de água abastecidos por energia solar.

Cada equipamento tem capacidade nominal para tratar até 5 mil litros de água por dia. Se todos operarem simultaneamente nas condições previstas, a produção poderá alcançar até 500 mil litros diários.

A capacidade real dependerá da qualidade da água disponível, da instalação, da manutenção e da logística de distribuição às comunidades afetadas.

A oferta de água potável é uma das prioridades depois de grandes terremotos. O rompimento de tubulações, a contaminação de reservatórios e a interrupção do fornecimento podem ampliar o risco de doenças e comprometer hospitais e abrigos.

Estrutura depende de montagem antes dos atendimentos

O envio do hospital de campanha não significa que a unidade começará a receber pacientes imediatamente após o pouso.

A operação exige desembarque, transporte terrestre, escolha de uma área segura, montagem dos módulos, instalação dos sistemas de energia e água e organização dos fluxos de atendimento.

As equipes também precisam avaliar quais serviços poderão ser oferecidos e como a estrutura será integrada à rede de saúde venezuelana.

O módulo complementar levado no terceiro voo é necessário para concluir a instalação iniciada com os componentes transportados anteriormente.

A unidade avançada deverá apoiar principalmente o atendimento de traumas e outras urgências relacionadas ao desastre. A capacidade de internação, o número de leitos e o prazo previsto para o início dos atendimentos não foram detalhados publicamente.

Primeira equipe já chegou à Venezuela

O primeiro KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira pousou às 23h40 de sexta-feira na Base Militar El Libertador, em Maracay.

A aeronave havia partido da Base Aérea de Guarulhos, em São Paulo, com uma equipe especializada em busca e resgate urbano.

A missão reúne profissionais da Defesa Civil Nacional, bombeiros militares de Minas Gerais, São Paulo e Paraná e especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações.

Também foram enviados médicos, cães treinados para localizar vítimas, veículos e aproximadamente dez toneladas de equipamentos e materiais.

As equipes brasileiras devem atuar em estruturas colapsadas, onde ainda pode haver pessoas presas. Esse tipo de operação exige avaliação permanente porque prédios parcialmente destruídos podem voltar a desabar durante as buscas.

Tecnologia tenta localizar celulares sob escombros

Os técnicos de telecomunicações levaram analisadores de espectro e antenas direcionais de alta sensibilidade.

Os equipamentos são utilizados para procurar sinais emitidos por celulares que permanecem ligados sob os escombros. A identificação de uma transmissão pode ajudar a delimitar áreas prioritárias para as equipes de salvamento.

O sinal, isoladamente, não confirma a presença de uma pessoa viva. Um telefone pode continuar funcionando sem estar com o proprietário ou permanecer em um ponto diferente daquele onde a vítima se encontra.

A tecnologia serve como instrumento auxiliar e precisa ser combinada com cães farejadores, equipamentos acústicos, análise estrutural e trabalho manual das equipes.

Tremores alcançaram magnitudes 7,2 e 7,5

Dois fortes terremotos atingiram a faixa central da Venezuela na noite de quarta-feira (24), com magnitudes estimadas em 7,2 e 7,5.

Os eventos ocorreram com intervalo aproximado de um minuto. O epicentro do tremor principal foi localizado próximo a Morón, no estado de Carabobo, na costa do Caribe.

A profundidade estimada foi de cerca de 13 quilômetros. Terremotos rasos tendem a produzir movimentos mais intensos na superfície e podem causar danos maiores nas áreas próximas ao epicentro.

Os abalos provocaram desabamentos, danos à infraestrutura e interrupções em serviços essenciais. O balanço de vítimas permanecia em atualização enquanto as equipes avançavam pelas áreas atingidas.

As autoridades venezuelanas decretaram emergência e solicitaram apoio internacional.

Tremores também foram sentidos no Norte do Brasil

Os terremotos foram percebidos em cidades do Pará, Amazonas, Amapá e Roraima.

Moradores relataram oscilações principalmente em edifícios altos, que podem amplificar a percepção de tremores ocorridos a grandes distâncias.

Seis prédios chegaram a ser evacuados preventivamente em Belém para inspeção. Os imóveis foram liberados depois das avaliações.

Não houve registro de mortes, feridos ou danos estruturais significativos no território brasileiro relacionados aos tremores.

A distância do epicentro reduziu o risco de destruição no Brasil, embora a energia liberada tenha sido suficiente para movimentar construções a centenas de quilômetros.

Operação reúne diferentes órgãos brasileiros

A mobilização é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores.

A missão também envolve a Força Aérea Brasileira, a Marinha, o Ministério da Saúde, a Defesa Civil Nacional, a Anatel e os corpos de bombeiros estaduais.

A autorização foi dada após o governo venezuelano aceitar a oferta brasileira de apoio.

Não foram divulgados o custo total dos três voos, o período de permanência das equipes, o local onde o hospital será montado nem o prazo previsto para o retorno dos profissionais.

A duração da operação dependerá das necessidades identificadas no terreno e das decisões tomadas em conjunto com as autoridades venezuelanas.

Missão passa das buscas para a assistência prolongada

O primeiro estágio da resposta a um terremoto concentra esforços na localização de pessoas presas e no resgate em estruturas colapsadas. As chances de sobrevivência geralmente diminuem com o passar dos dias, embora salvamentos possam ocorrer depois de períodos prolongados.

A chegada do hospital, dos medicamentos e dos purificadores mostra que a missão brasileira também avança para uma segunda necessidade: manter o atendimento aos sobreviventes e impedir que a destruição dos serviços produza novas vítimas.

Ferimentos sem tratamento, falta de água potável, interrupção de medicamentos e ausência de acompanhamento para pessoas com doenças crônicas podem prolongar os efeitos do desastre muito depois do fim das buscas.

A efetividade da ajuda dependerá menos do volume embarcado do que da capacidade de fazer equipamentos, profissionais e suprimentos chegarem aos pontos de maior necessidade. Em operações humanitárias, pousar a carga é apenas o começo do caminho.

Fontes e documentos:

– Envio dos kits de calamidade (Ministério da Saúde)
– Autorização da missão humanitária (Agência Brasileira de Cooperação)
– Equipe brasileira de busca e resgate (Ministério da Integração)
– Transporte da equipe pela FAB (Força Aérea Brasileira)

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