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Congresso aprova medidas de proteção às mulheres

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Projetos reforçam rede de atendimento e divulgação do Ligue 180

Decisões recentes na Câmara dos Deputados e no Senado ampliaram a agenda legislativa de enfrentamento à violência contra meninas e mulheres no Brasil. A Câmara aprovou, na terça-feira (7), o projeto que cria o Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres. Já o Senado aprovou, na quarta-feira (8), proposta que obriga a divulgação em larga escala do Ligue 180, canal de orientação e denúncias de violência contra a mulher.

As duas medidas têm objetivos complementares. Uma busca estruturar uma política nacional coordenada de proteção e atendimento. A outra tenta ampliar o acesso à informação para que mulheres em situação de violência saibam como pedir ajuda.

Sistema Nacional seguirá para análise do Senado

O projeto aprovado pela Câmara cria o Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres. A proposta segue agora para votação no Senado.

De acordo com o texto aprovado, o sistema pretende fortalecer a rede de proteção, ampliar o atendimento e dar atenção especial a situações em que haja risco iminente de feminicídio. A iniciativa está vinculada ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, lançado em fevereiro, que prevê atuação coordenada e permanente entre os Três Poderes.

O projeto autoriza a União a destinar até R$ 5 bilhões, distribuídos entre os anos de 2026, 2027 e 2028, para financiar ações de prevenção, proteção e fortalecimento da política pública de enfrentamento à violência.

Ligue 180 terá divulgação obrigatória em locais de grande circulação

No Senado, foi aprovado o projeto que torna obrigatória a divulgação do Ligue 180 pelo governo federal. O serviço telefônico recebe denúncias, orienta mulheres em situação de violência e encaminha casos à rede de proteção.

O texto já havia passado pela Câmara e seguirá para sanção presidencial. Pela proposta, o canal deverá ser divulgado em meios de comunicação de massa e em locais públicos e privados de grande circulação, como escolas, casas de espetáculo, espaços de diversão, órgãos públicos, hospitais e meios de transporte coletivo.

A ligação para o Ligue 180 é gratuita e preserva o sigilo de quem procura o serviço. A central funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Serviço também atende mulheres no exterior

O Ligue 180 pode ser acessado por mulheres em qualquer região do Brasil. Para brasileiras no exterior, o atendimento também está disponível por chat no WhatsApp, pelo número (61) 9610-0180.

O serviço oferece atendimento em português, inglês, espanhol e Libras. A ampliação da divulgação busca reduzir uma barreira prática: muitas vítimas desconhecem os canais de orientação ou não sabem como acionar a rede de proteção sem se expor.

Em violência doméstica, informação não é detalhe de cartaz. Pode ser a diferença entre a vítima permanecer isolada ou conseguir acionar o primeiro ponto de apoio.

Medidas buscam integrar prevenção, atendimento e denúncia

O Sistema Nacional aprovado na Câmara mira a organização da política pública. A divulgação obrigatória do Ligue 180, aprovada no Senado, atua na porta de entrada da proteção. A combinação das duas frentes indica uma tentativa de aproximar estrutura institucional e acesso direto da população.

O desafio está na execução. A criação de sistemas, pactos e campanhas só produz efeito real quando há atendimento acessível, equipes preparadas, integração entre órgãos, orçamento efetivo e resposta rápida aos casos de risco.

Análise da política de enfrentamento à violência contra mulheres

As aprovações no Congresso apontam para uma agenda legislativa mais integrada no enfrentamento à violência contra meninas e mulheres. O avanço institucional é relevante porque a violência de gênero não se resolve apenas com punição posterior. Ela exige prevenção, identificação de risco, acolhimento, proteção, responsabilização e acompanhamento contínuo.

O ponto mais sensível é o feminicídio. Quando o projeto aprovado pela Câmara prioriza situações de risco iminente, reconhece que muitas mortes são precedidas por sinais, ameaças, agressões anteriores e falhas de resposta institucional. A política pública precisa chegar antes do desfecho extremo.

A divulgação ampliada do Ligue 180 também enfrenta um problema básico: canal de ajuda pouco conhecido é ferramenta subutilizada. Tornar o serviço visível em escolas, hospitais, transportes e locais de grande circulação pode ampliar o acesso à informação. Mas a efetividade dependerá da capacidade de transformar denúncia e orientação em proteção concreta.

Relacionadas, fontes e documentos:

QR Code em banheiros leva vítimas ao Direito Delas (Fonte em Foco)
Sala Lilás amplia proteção a mulheres no Distrito Federal (Fonte em Foco)
DF terá centro para cuidar de mulheres no climatério (Fonte em Foco)
Novas leis ampliam proteção às mulheres brasileiras (Fonte em Foco)
Justiça reduz acusação em caso de mulher queimada viva (Fonte em Foco)
– Câmara aprova criação do Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres (Câmara dos Deputados)
– Violência contra a mulher: Senado aprova projeto que obriga governo a divulgar o Ligue 180 (Senado Federal)
Congresso avança na aprovação de projetos para proteção às mulheres (Agência Brasil)

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