Eleições 2026 no DF Celina lidera e disputa afunila
A corrida pelo Palácio do Buriti inicia com uma liderança consistente de Celina Leão, mas com uma disputa ainda aberta pela vaga que pode levá-la a um eventual segundo turno. A pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta quarta-feira, 19 de agosto, coloca a governadora com 34% das intenções de voto, seguida por José Roberto Arruda, com 22%, Leandro Grass, com 18%, e Paula Belmonte, com 6%. Ricardo Cappelli aparece logo depois, com 5%.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores do Distrito Federal entre 14 e 18 de agosto, por abordagens telefônicas e digitais. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF-07849/2026.
Celina mantém a liderança em diferentes levantamentos
A posição de Celina Leão não aparece apenas na fotografia da RealTime Big Data. A governadora vem ocupando a primeira colocação em uma sequência de pesquisas públicas realizadas por institutos diferentes, embora os percentuais não possam ser comparados como se fossem uma única série, porque amostras e metodologias variam.
Na Exata OP, realizada entre 1º e 3 de julho, Celina registrava 23,4% no cenário estimulado, contra 17,3% de Arruda e 15,8% de Leandro Grass. Nos testes de segundo turno daquele levantamento, aparecia com 42,7% contra 34% de Arruda e 45,7% contra 36% de Grass.
Poucas semanas depois, o Paraná Pesquisas registrou 34,6% para Celina, 28,1% para Arruda e 11,9% para Grass no cenário que incluía o ex-governador. Sem Arruda, Celina chegava a 45,9%. O instituto ouviu 1.500 eleitores de 17 a 19 de julho, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais.
A pesquisa Correio/Opinião, feita entre 30 de julho e 1º de agosto, colocou Celina em 32,4%, Arruda em 24% e Grass em 9,8%. O levantamento entrevistou 1.109 eleitores em 31 regiões administrativas, com margem de erro de 3,3 pontos percentuais.
Agora, a RealTime registra 34% para a governadora. Mais importante para compreender o quadro: o instituto também testou confrontos diretos. Celina aparece com 42% contra 30% de Arruda e com 51% contra 32% de Leandro Grass.
O que as pesquisas sustentam é uma vantagem eleitoral para Celina, tanto no primeiro turno quanto nos confrontos de segundo turno efetivamente testados. Campanha, debates, acontecimentos políticos e mudanças na decisão dos eleitores ainda podem alterar o cenário.
Arruda continua competitivo, mas distância para Celina aumentou na pesquisa mais recente
José Roberto Arruda ocupa a segunda colocação na RealTime Big Data, com 22%. O percentual é inferior aos 28,1% registrados pelo Paraná Pesquisas em julho e aos 24% da pesquisa Correio/Opinião no começo de agosto. Como os institutos utilizam metodologias diferentes, essas variações não devem ser lidas automaticamente como perda de seis pontos ou como uma tendência estatística contínua.
Ainda assim, há um dado politicamente relevante: Arruda permanece como o segundo nome mais bem colocado na pesquisa mais recente e é o adversário que apresenta o melhor resultado contra Celina no teste de segundo turno da RealTime. Nesse confronto, a governadora marca 42%, e Arruda, 30%.
A mesma pesquisa também apresenta um cenário sem Celina no segundo turno: Arruda registra 44% contra 34% de Leandro Grass. O número mostra que sua presença eleitoral não se limita ao primeiro turno, mas não equivale a uma previsão de que ele chegará à etapa seguinte.
Existe ainda uma variável que pesquisas de intenção de voto não resolvem: a situação jurídica dos registros. Os pedidos foram apresentados à Justiça Eleitoral em agosto e estão sujeitos a julgamento. Dados do TSE extraídos em 17 de agosto mostravam Arruda, Celina, Grass e Paula, entre outros nomes, com registros ainda “aguardando julgamento” naquele momento. O TRE-DF esclarece que protocolar o pedido não significa aprovação automática e que os registros de competência da Justiça Eleitoral regional devem ser julgados até 14 de setembro.
Por isso, qualquer leitura sobre a disputa precisa separar duas perguntas: quanto apoio eleitoral cada candidato demonstra e quais candidaturas estarão definitivamente aptas após o julgamento da Justiça Eleitoral.
Grass cresce e encurta a disputa pela segunda vaga
Leandro Grass aparece com 18% na RealTime Big Data. Na comparação puramente numérica com levantamentos anteriores, é um resultado superior aos 9,8% registrados pela Correio/Opinião e aos 11,9% do Paraná Pesquisas no cenário com Arruda. As diferenças metodológicas entre institutos impedem tratar essa sequência como uma curva estatística perfeita, mas o dado mais recente coloca Grass quatro pontos atrás de Arruda.
É justamente aí que se encontra uma das principais tensões da disputa atual. Se Celina permanece isolada na primeira posição, a definição do possível segundo nome do segundo turno ganha importância estratégica.
Nos confrontos diretos testados pela RealTime, Grass aparece com 32% contra 51% de Celina. Contra Arruda, registra 34%, enquanto o adversário alcança 44%.
Esses números não fornecem uma “chance percentual” de vitória para Grass. Eles mostram duas coisas objetivas: o candidato apresenta um contingente eleitoral relevante no primeiro turno da pesquisa mais recente, mas aparece numericamente atrás tanto de Celina quanto de Arruda nos confrontos de segundo turno que foram testados.
A campanha, portanto, começa com uma questão mensurável: saber se os 18% registrados agora representam um novo patamar que será confirmado por levantamentos posteriores ou apenas uma fotografia específica da amostra e do momento.
Paula Belmonte chega ao quarto lugar, mas dados ainda são insuficientes para projetar um segundo turno
Paula Belmonte aparece com 6% na RealTime Big Data, um ponto percentual acima dos 5% de Ricardo Cappelli. Como a diferença entre ambos é menor que a margem de erro informada para o levantamento, a ordem entre essas duas candidaturas deve ser interpretada com cautela, sem transformar uma diferença pequena em distância eleitoral consolidada.
O desempenho de Paula também varia conforme a composição do cenário. Quando Arruda é retirado da lista apresentada pela RealTime, ela sobe para 10%, atrás de Celina, com 45%, e Grass, com 20%. Cappelli fica com 6%.
Algo semelhante já havia aparecido no Paraná Pesquisas: Paula registrava 3,6% no cenário com Arruda e 7,2% quando o ex-governador não era apresentado aos entrevistados.
Esse comportamento é relevante porque mostra como a oferta de candidatos interfere na distribuição das respostas. Mas existe um limite claro para qualquer conclusão: a RealTime não publicou, no material consultado, uma simulação de segundo turno envolvendo Paula Belmonte. Sem esse teste, os dados disponíveis não permitem quantificar como ela se comportaria em um confronto final.
Hoje, portanto, o que a pesquisa sustenta é sua presença no grupo imediatamente posterior aos três primeiros colocados — não uma estimativa de probabilidade de vitória.
A intençao real de voto ainda apresenta um eleitor confuso
Há outra fotografia importante dentro da própria RealTime. Quando os entrevistadores não apresentam lista alguma e simplesmente perguntam em quem o eleitor votaria, os números caem: Celina tem 15%, Arruda 9% e Grass 3%. Mais da metade, 55%, não sabe ou não responde; outros 13% declaram voto branco ou nulo.
A diferença entre voto estimulado e espontâneo ajuda a compreender por que uma liderança expressiva hoje não deve ser confundida com resultado antecipado. Na estimulada, o eleitor escolhe entre alternativas oferecidas. Na espontânea, precisa recuperar o nome sozinho — e o nível de indefinição continua elevado.
Ao mesmo tempo, a disputa já entrou numa fase mais concreta. O prazo para registros terminou em 15 de agosto, e o TRE-DF informou a apresentação de dez chapas para governador e vice-governador. A Justiça Eleitoral ainda analisa parte dos pedidos.
A situação Eleitoral atual
A fotografia disponível em 19 de agosto mostra a eleição com uma liderança claramente medida, uma disputa relevante pela segunda posição e um grupo seguinte que ainda precisa ampliar sua presença eleitoral. Essa é a leitura que os levantamentos citados permitem. Eles não entregam probabilidades matemáticas de vitória.
Celina reúne neste momento o conjunto mais favorável de indicadores publicados pelos institutos consultados: aparece à frente nas pesquisas recentes e lidera os confrontos de segundo turno testados. Arruda permanece como segundo colocado na RealTime e registra desempenho expressivo em confronto direto contra Grass. Grass, por sua vez, aparece mais próximo de Arruda na pesquisa mais recente do que em parte dos levantamentos anteriores. Paula ocupa numericamente a quarta posição na RealTime, mas ainda sem teste publicado de segundo turno nesse levantamento.
Nada disso autoriza transformar agosto em outubro. Pesquisas são instrumentos para entender onde a disputa está, não certificados de onde ela terminará. Metodologia, margem de erro, indecisão, campanha, julgamento dos registros e acontecimentos políticos posteriores continuam fazendo parte da equação.
No Distrito Federal, a pergunta central deixa de ser apenas quem está na frente. Passa a ser também quem consegue preservar, ampliar ou reorganizar sua base quando o eleitor começar a trocar a lista apresentada pelo instituto por uma decisão efetiva diante da urna.
Fontes e Documentos:
- Pesquisa para o governo do Distrito Federal em 2026 (Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo)
- Pesquisa Correio/Opinião sobre a disputa pelo GDF (Correio Braziliense)
- DF encerra registro de candidaturas para as Eleições 2026 (TRE-DF)
- Consulta às pesquisas eleitorais registradas (TSE)

