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Aleitamento protege bebês contra vírus respiratórios

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Jeferson Nunes

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Amamentação reforça defesa de bebês no período de maior circulação de vírus

O avanço das doenças respiratórias no período de outono e inverno aumenta a preocupação de famílias com bebês e crianças pequenas no Distrito Federal. Entre março e agosto, a maior circulação de vírus como influenza, vírus sincicial respiratório e coronavírus exige atenção redobrada, sobretudo nos primeiros meses de vida.

Nesse cenário, o aleitamento materno assume papel central. Mais do que alimento, o leite humano contribui para a hidratação, fortalece a proteção imunológica e ajuda o organismo infantil a responder melhor a infecções. Para bebês, cada mamada pode ser uma camada a mais de defesa. E, nessa idade, camada nunca é excesso.

Leite materno ajuda na proteção contra infecções

Nos seis primeiros meses de vida, o leite materno é suficiente para atender às necessidades nutricionais do bebê, inclusive de água. Por isso, a recomendação de aleitamento exclusivo nesse período ganha ainda mais importância durante a sazonalidade dos vírus respiratórios.

A pediatra Vanessa Macedo, do Hospital Materno Infantil de Brasília, resume o papel do leite humano como uma proteção inicial. “É muito mais do que alimento. É a proteção básica, a primeira vacina do bebê”, afirma. Segundo ela, quanto maior o tempo de amamentação, maior tende a ser o benefício protetivo para a criança.

Além da nutrição, o aleitamento favorece o vínculo afetivo entre mãe e filho. Portanto, mesmo quando há circulação intensa de vírus, a orientação sanitária não é romper esse contato, mas torná-lo mais seguro.

Amamentação deve ser mantida mesmo com sintomas respiratórios

Quando o bebê já apresenta quadro respiratório, a amamentação continua recomendada. O leite materno ajuda na hidratação, uma das medidas mais importantes no cuidado de infecções respiratórias virais.

Nesses casos, interrupções durante a mamada podem ocorrer. Bebês resfriados podem mamar por períodos menores, fazer pausas e demonstrar desconforto por causa da congestão nasal. Ainda assim, sinais de alerta não devem ser normalizados.

Cansaço intenso, fraqueza acentuada, dificuldade para respirar, queda importante da aceitação do leite ou piora do estado geral exigem avaliação médica. Em criança pequena, esperar demais pode transformar um quadro simples em uma corrida contra o relógio.

Cuidados em casa reduzem o risco de transmissão

Se a mãe ou algum familiar apresentar sintomas respiratórios, a recomendação é reforçar medidas simples e conhecidas: uso de máscara, higienização das mãos e etiqueta respiratória. Essas ações ajudam a reduzir a disseminação de gotículas e protegem crianças mais vulneráveis.

A amamentação, no entanto, deve ser preservada sempre que possível. A pediatra explica que, após contato com um vírus, a mãe pode começar a produzir anticorpos que chegam ao bebê por meio do leite. Em muitos casos, isso pode ocorrer antes mesmo de os sintomas ficarem evidentes.

Por isso, a prevenção não passa por afastamento automático. Passa por cuidado, higiene e vigilância. A diferença parece pequena, mas muda tudo dentro de uma casa com recém-nascido.

Prevenção agora pesa menos que internação depois

A estratégia de proteção contra doenças respiratórias no DF também inclui vacinação e imunização específica para grupos de maior risco. A vacinação de gestantes contra o vírus sincicial respiratório foi iniciada nas unidades básicas de saúde e é indicada a partir da 28ª semana de gestação, com dose única a cada nova gravidez.

O objetivo é reduzir casos graves de bronquiolite em recém-nascidos. A proteção ocorre pela transferência de anticorpos da mãe para o bebê, ainda durante a gestação.

Além disso, crianças com maior risco de desenvolver formas graves da doença podem receber o nirsevimabe, anticorpo monoclonal indicado para prevenir infecções respiratórias graves causadas pelo VSR. A proteção é voltada especialmente a prematuros e crianças com comorbidades definidas pelos critérios da rede pública.

Nas maternidades públicas do DF, bebês elegíveis podem receber a proteção após o nascimento, ainda durante a internação. Quando isso não ocorre, há locais específicos de aplicação na rede, conforme a indicação clínica e o grupo de risco.

Fontes e documentos:

Secretaria de Saúde inicia vacinação de gestantes contra vírus que causa bronquiolite (SES-DF)
– Aplicação do Nirsevimabe (SES-DF)
– Distrito Federal recebe 9,4 mil doses da vacina contra o VSR (Ministério da Saúde)
– Prematuros recebem medicamento para prevenir infecções respiratórias (SES-DF)

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