Secretaria de Obras deve iniciar a ocupação do CADF em julho, enquanto o governo conclui reparos e ainda não apresenta o custo total das adequações
Servidores da Secretaria de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal devem começar a trabalhar no Bloco L do Centro Administrativo do Distrito Federal ainda em julho. A transferência será a primeira ocupação efetiva do complexo localizado entre Taguatinga e Ceilândia, inaugurado em 2014 e mantido sem funcionamento regular por mais de uma década.
Equipes trabalham na recuperação de sistemas essenciais para que o edifício possa receber os servidores. A mudança será gradual e deverá alcançar outros órgãos do Governo do Distrito Federal, mas o cronograma completo e o custo consolidado das intervenções ainda não foram apresentados.
Bloco L recebe ajustes para a ocupação do CADF
Os trabalhos no interior do prédio abrangem a implantação da infraestrutura de rede e lógica, revisão das instalações elétricas, pintura, manutenção dos elevadores e ajustes nos sistemas hidráulico e de climatização.
Também são executados serviços de limpeza dos dutos de ar-condicionado, testes das bombas de abastecimento de água e instalação do sistema de detecção e alarme contra incêndio. As intervenções procuram assegurar que o edifício tenha condições de segurança e funcionamento antes da chegada dos servidores.
Na área externa, as equipes fazem a impermeabilização das lajes, recuperação do paisagismo, limpeza das bocas de lobo e manutenção das redes e dos ramais de drenagem. O estoque de materiais remanescente da construção também está sendo transferido para outro espaço.
O secretário de Obras e Infraestrutura, Valter Casimiro, afirma que os serviços são indispensáveis para que o prédio possa operar com segurança. Para ele, a etapa representa a passagem de uma estrutura mantida fechada durante anos para um espaço destinado ao funcionamento da administração pública.
Mudança começa pela Secretaria de Obras
A Secretaria de Obras será o primeiro órgão a ocupar o Centro Administrativo. A previsão seguinte inclui a transferência de estruturas da Governadoria, da Casa Civil e da Casa Militar.
A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, a Secretaria de Transporte e Mobilidade e o DF Legal também analisam a viabilidade de transferir unidades para o complexo.
O anúncio realizado em junho previa que 31% do CADF fossem ocupados em até 90 dias, com a utilização inicial de cinco blocos e capacidade para receber até 1.638 servidores. A programação apresentada naquele momento incluía cinco secretarias em mudança integral e três órgãos com funcionamento parcial.
A atualização mais recente, no entanto, estabelece prazo apenas para a chegada da Secretaria de Obras. As datas das demais transferências não foram detalhadas.
Economia com aluguéis depende do avanço das etapas
A concentração de órgãos públicos no CADF é apresentada como uma forma de reduzir despesas com imóveis alugados. O GDF calcula que mantém aproximadamente R$ 168 milhões por ano em contratos de locação.
Esse valor corresponde ao gasto total anual do governo com aluguéis e não à economia imediatamente assegurada pela abertura do Centro Administrativo. Para as cinco secretarias inicialmente incluídas na primeira etapa, a estimativa divulgada foi de redução superior a R$ 18 milhões por ano.
O resultado líquido dependerá dos órgãos efetivamente transferidos, da rescisão ou do encerramento dos contratos de aluguel e das despesas necessárias para adaptar, operar e conservar o complexo.
O decreto que atribuiu à Secretaria de Obras a coordenação das intervenções determina que os custos sejam identificados por meio de vistorias técnicas. Os recursos deverão ser solicitados à Secretaria de Economia por suplementação orçamentária.
Até o momento, foi formalizada uma transferência de R$ 321,8 mil para recomposição paisagística. Esse valor cobre apenas uma parte das intervenções e não representa o custo total da ocupação.
Transporte público atende primeira fase
O Centro Administrativo está próximo à estação Centro Metropolitano do Metrô-DF e ao terminal rodoviário da região. A localização oferece alternativas de transporte coletivo para servidores e cidadãos e pode reduzir parte dos deslocamentos em direção ao Plano Piloto.
O Túnel Rei Pelé e o Boulevard do Centro de Taguatinga também ampliaram a capacidade viária da região. A ocupação integral do complexo, entretanto, ainda depende de novas intervenções.
A programação governamental prevê a elaboração de projetos para dois viadutos de acesso ao CADF. As estruturas são consideradas necessárias para viabilizar a utilização de todo o empreendimento e absorver o aumento do fluxo de veículos.
Um complexo marcado por impasses administrativos
O CADF foi construído por meio de uma parceria público-privada e inaugurado em 2014, mas não entrou em operação regular. Sua trajetória foi marcada por disputas judiciais e administrativas envolvendo o contrato, os pagamentos à concessionária e as condições exigidas para a ocupação.
A Justiça reconheceu de forma definitiva irregularidades na inauguração realizada naquele ano. Em diferentes momentos, órgãos de controle também questionaram o planejamento da contratação, os valores envolvidos e a ausência de estruturas necessárias ao funcionamento do empreendimento.
A retomada da ocupação não elimina esse histórico. Ela abre uma nova etapa, agora vinculada à capacidade do governo de transformar uma estrutura construída há mais de uma década em um equipamento público funcional.
A economia precisa ser demonstrada
A chegada dos primeiros servidores representa um avanço concreto, mas não encerra as perguntas acumuladas durante os anos em que o complexo permaneceu sem utilização efetiva.
O resultado deverá ser medido pela segurança das instalações, pela qualidade do atendimento ao cidadão, pelo impacto sobre o trânsito e pela economia líquida obtida depois de descontados os custos de adaptação, manutenção e operação.
A divulgação do orçamento consolidado, dos contratos envolvidos e do cronograma de cada órgão será necessária para comparar a execução com as metas anunciadas. Sem esses dados, ainda não é possível determinar quanto a ocupação custará nem em quanto tempo o investimento será compensado pela redução dos aluguéis.
Relacionadas, fontes e documentos
– CAD-DF terá 31% ocupado em até 90 dias (Fonte em Foco)
– GDF amplia apoio a mães atípicas e combate à violência (Fonte em Foco)
– Vicente Pires avança na regularização de 560 lotes (Fonte em Foco)
– PMDF intensifica patrulhamento em operação nacional (Fonte em Foco)
– Centro Administrativo se prepara para receber primeiros órgãos do GDF (Agência Brasília)

