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Rodoviária do Plano Piloto chega a 86% de aprovação

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Passageiros relatam mais segurança, acessibilidade e ordem no principal terminal do DF

A Rodoviária do Plano Piloto completa nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, o primeiro ano sob concessão à Concessionária Catedral com melhora expressiva na avaliação dos usuários. A aprovação geral do terminal passou de 45,61% para 86,13%, segundo pesquisa do Instituto Opinião realizada com passageiros e trabalhadores que circulam pelo espaço.

O terminal recebe cerca de 700 mil pessoas por dia, entre usuários do transporte público, comerciantes e trabalhadores locais. A concessão tem prazo de 20 anos e envolve recuperação, modernização, operação, manutenção, conservação e exploração do complexo, mas não transfere à concessionária o controle do sistema de transporte. Linhas, tarifas e regulação dos ônibus permanecem sob comando público da Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF.

A melhora percebida pelos usuários se concentra em três áreas: funcionamento de escadas rolantes e elevadores, reforço da segurança e reorganização das áreas de circulação. A mudança não elimina todos os desafios do principal ponto de integração do DF, mas mostra que manutenção contínua, fiscalização e gestão de rotina fazem diferença onde antes o improviso parecia regra fixa.

Concessão mudou gestão, não o controle do transporte

A concessão transferiu à Catedral a administração da infraestrutura, da manutenção, da limpeza, da segurança patrimonial e da operação cotidiana do complexo. A Semob-DF, por sua vez, passou a atuar como concedente, responsável por fiscalizar resultados, avaliar indicadores e acompanhar o cumprimento do contrato.

O contrato também prevê integração tecnológica entre o Centro de Controle Operacional da concessionária e bases públicas da Semob. Esse modelo permite acompanhamento remoto de dados, indicadores de desempenho e informações operacionais ligadas ao funcionamento do terminal.

A distinção é importante para o usuário. Se a escada rolante funciona, a concessionária responde. Se o ônibus atrasa, a linha muda ou a tarifa pesa no bolso, a responsabilidade segue na esfera pública. Em mobilidade urbana, misturar essas responsabilidades é caminho curto para muita cobrança no guichê errado.

Segurança teve salto na avaliação dos usuários

A segurança foi um dos pontos de maior avanço na pesquisa. A avaliação positiva desse quesito subiu de 32,70% para 85,89%, em meio à implantação de videomonitoramento, reorganização dos fluxos e desobstrução de áreas antes ocupadas de forma irregular.

O novo centro de controle opera com câmeras de videomonitoramento, incluindo tecnologia de reconhecimento facial. A medida é apresentada pela gestão como parte da estratégia de prevenção, resposta rápida e acompanhamento do movimento no terminal.

Passageiros também relatam mudança de percepção no uso cotidiano. A moradora do Itapoã Manoela Suzart, que circula com a filha cadeirante, afirmou que a redução de obstáculos nos corredores e o funcionamento dos elevadores facilitaram a mobilidade. Para quem depende de acessibilidade, a diferença entre um equipamento funcionando e outro parado não é detalhe técnico; é o direito de ir e vir com menos humilhação.

Escadas rolantes e elevadores voltaram à rotina

Segundo a administração da Rodoviária, as 12 escadas rolantes foram modernizadas e os elevadores estão em funcionamento. A manutenção passou a ser contínua, com equipes acionadas para recolocar equipamentos em operação quando há interrupção.

Esse ponto tem efeito direto sobre idosos, pessoas com deficiência, trabalhadores com carga, mães com crianças e passageiros que fazem integração em horários de pico. Acessibilidade, no terminal mais movimentado do DF, não é gentileza arquitetônica. É condição mínima de funcionamento.

A recuperação estrutural também avança. A administração informa que a reforma dos banheiros foi iniciada, os pilares foram recuperados e há intervenções em vigas e lajes. Reportagens recentes já apontavam a modernização dos sanitários como nova etapa da concessão, após melhora expressiva na avaliação desse serviço.

Comércio local passou por formalização

A reorganização dos corredores foi acompanhada de tentativa de formalização de antigos ambulantes. A concessionária afirma ter dialogado com trabalhadores informais, em parceria com órgãos do GDF e com o Sebrae, para regularizar parte da atividade econômica no terminal.

Hoje, a rodoviária conta com 150 lojas, responsáveis por cerca de 450 empregos, segundo as informações divulgadas pela gestão. Comerciantes que antes atuavam como permissionários ou ambulantes passaram a operar como locatários ou em modelos padronizados de venda.

O vendedor Alex Alves, que trabalhou informalmente na rodoviária por 15 anos, relatou que a formalização encerrou a rotina de apreensões e perda de mercadorias. Já Aduir da Silva, que vende salgados há 19 anos no terminal, afirmou que passou a trabalhar dentro da legalidade e a empregar seis pessoas.

A mudança tem dois lados que precisam andar juntos. Organizar a circulação melhora a vida do passageiro. Formalizar o trabalhador evita que a solução para a ordem pública seja simplesmente empurrar gente para fora do sustento. Quando dá certo, o corredor fica livre e o trabalhador continua de pé.

Terminal ganhou serviços de acolhimento

Nos últimos 12 meses, a Rodoviária do Plano Piloto também recebeu novos serviços voltados ao acolhimento. Entre eles estão uma sala multissensorial para pessoas com Transtorno do Espectro Autista, fraldário, espaço de suporte emocional e sala de amamentação.

A sala de amamentação foi instalada no banheiro feminino do piso inferior após solicitação do GDF, por meio da Secretaria de Justiça e Cidadania. O espaço conta com pia, chuveirinho, trocador, micro-ondas e assentos, com objetivo de oferecer mais conforto e privacidade às mães antes ou depois do embarque.

Esses serviços ajudam a transformar o terminal em mais do que ponto de passagem. Em uma rodoviária por onde circulam centenas de milhares de pessoas por dia, acolhimento não é luxo. É infraestrutura humana.

Aprovação alta aumenta responsabilidade da fiscalização

O salto de aprovação é relevante e indica que a concessão produziu resultados visíveis no primeiro ano. Segurança, acessibilidade, limpeza, organização e formalização do comércio aparecem como mudanças sentidas por quem usa o terminal.

Mas a boa avaliação também eleva a responsabilidade da Semob e da própria concessionária. Concessão pública não se mede só pela foto da entrega, e sim pela repetição diária do serviço. Escada rolante precisa funcionar amanhã. Banheiro precisa permanecer limpo depois da inauguração. Câmera precisa respeitar finalidade pública. Comércio formal precisa conviver com circulação segura. E o usuário precisa ter canal real para reclamar quando o padrão cair.

A Rodoviária do Plano Piloto é o coração da mobilidade do DF. Se melhora, a cidade inteira sente. Se volta ao abandono, o prejuízo também se espalha rápido. O primeiro ano mostra avanço; os próximos dirão se a concessão virou padrão de gestão ou apenas lua de mel administrativa.

A população pode enviar sugestões, elogios ou críticas à administradora pelo e-mail ouvidoria.rodoviaria@rzkconcessoes.com.br.

Relacionadas, fontes e documentos:

– Roubos em ônibus caem 52% e mudam rotina no DF (Fonte em Foco)
– Consumidor do DF ganha canal direto de denúncia (Fonte em Foco)
– 26 de Setembro entra na reta final para virar RA (Fonte em Foco)
– Operação Unitas reforça policiamento na Asa Norte (Fonte em Foco)
– Modernização e segurança marcam o primeiro ano de concessão da Rodoviária do Plano Piloto (Agência Brasília)
– Concessão da Rodoviária do Plano Piloto (GDF)

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