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segunda-feira, 1 junho 2026, 11:34
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Rodoviária do Plano Piloto chega a 86% de aprovação

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Passageiros relatam mais segurança, acessibilidade e ordem no principal terminal do DF

A Rodoviária do Plano Piloto completa nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, o primeiro ano sob concessão à Concessionária Catedral com melhora expressiva na avaliação dos usuários. A aprovação geral do terminal passou de 45,61% para 86,13%, segundo pesquisa do Instituto Opinião realizada com passageiros e trabalhadores que circulam pelo espaço.

O terminal recebe cerca de 700 mil pessoas por dia, entre usuários do transporte público, comerciantes e trabalhadores locais. A concessão tem prazo de 20 anos e envolve recuperação, modernização, operação, manutenção, conservação e exploração do complexo, mas não transfere à concessionária o controle do sistema de transporte. Linhas, tarifas e regulação dos ônibus permanecem sob comando público da Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF.

A melhora percebida pelos usuários se concentra em três áreas: funcionamento de escadas rolantes e elevadores, reforço da segurança e reorganização das áreas de circulação. A mudança não elimina todos os desafios do principal ponto de integração do DF, mas mostra que manutenção contínua, fiscalização e gestão de rotina fazem diferença onde antes o improviso parecia regra fixa.

Concessão mudou gestão, não o controle do transporte

A concessão transferiu à Catedral a administração da infraestrutura, da manutenção, da limpeza, da segurança patrimonial e da operação cotidiana do complexo. A Semob-DF, por sua vez, passou a atuar como concedente, responsável por fiscalizar resultados, avaliar indicadores e acompanhar o cumprimento do contrato.

O contrato também prevê integração tecnológica entre o Centro de Controle Operacional da concessionária e bases públicas da Semob. Esse modelo permite acompanhamento remoto de dados, indicadores de desempenho e informações operacionais ligadas ao funcionamento do terminal.

A distinção é importante para o usuário. Se a escada rolante funciona, a concessionária responde. Se o ônibus atrasa, a linha muda ou a tarifa pesa no bolso, a responsabilidade segue na esfera pública. Em mobilidade urbana, misturar essas responsabilidades é caminho curto para muita cobrança no guichê errado.

Segurança teve salto na avaliação dos usuários

A segurança foi um dos pontos de maior avanço na pesquisa. A avaliação positiva desse quesito subiu de 32,70% para 85,89%, em meio à implantação de videomonitoramento, reorganização dos fluxos e desobstrução de áreas antes ocupadas de forma irregular.

O novo centro de controle opera com câmeras de videomonitoramento, incluindo tecnologia de reconhecimento facial. A medida é apresentada pela gestão como parte da estratégia de prevenção, resposta rápida e acompanhamento do movimento no terminal.

Passageiros também relatam mudança de percepção no uso cotidiano. A moradora do Itapoã Manoela Suzart, que circula com a filha cadeirante, afirmou que a redução de obstáculos nos corredores e o funcionamento dos elevadores facilitaram a mobilidade. Para quem depende de acessibilidade, a diferença entre um equipamento funcionando e outro parado não é detalhe técnico; é o direito de ir e vir com menos humilhação.

Escadas rolantes e elevadores voltaram à rotina

Segundo a administração da Rodoviária, as 12 escadas rolantes foram modernizadas e os elevadores estão em funcionamento. A manutenção passou a ser contínua, com equipes acionadas para recolocar equipamentos em operação quando há interrupção.

Esse ponto tem efeito direto sobre idosos, pessoas com deficiência, trabalhadores com carga, mães com crianças e passageiros que fazem integração em horários de pico. Acessibilidade, no terminal mais movimentado do DF, não é gentileza arquitetônica. É condição mínima de funcionamento.

A recuperação estrutural também avança. A administração informa que a reforma dos banheiros foi iniciada, os pilares foram recuperados e há intervenções em vigas e lajes. Reportagens recentes já apontavam a modernização dos sanitários como nova etapa da concessão, após melhora expressiva na avaliação desse serviço.

Comércio local passou por formalização

A reorganização dos corredores foi acompanhada de tentativa de formalização de antigos ambulantes. A concessionária afirma ter dialogado com trabalhadores informais, em parceria com órgãos do GDF e com o Sebrae, para regularizar parte da atividade econômica no terminal.

Hoje, a rodoviária conta com 150 lojas, responsáveis por cerca de 450 empregos, segundo as informações divulgadas pela gestão. Comerciantes que antes atuavam como permissionários ou ambulantes passaram a operar como locatários ou em modelos padronizados de venda.

O vendedor Alex Alves, que trabalhou informalmente na rodoviária por 15 anos, relatou que a formalização encerrou a rotina de apreensões e perda de mercadorias. Já Aduir da Silva, que vende salgados há 19 anos no terminal, afirmou que passou a trabalhar dentro da legalidade e a empregar seis pessoas.

A mudança tem dois lados que precisam andar juntos. Organizar a circulação melhora a vida do passageiro. Formalizar o trabalhador evita que a solução para a ordem pública seja simplesmente empurrar gente para fora do sustento. Quando dá certo, o corredor fica livre e o trabalhador continua de pé.

Terminal ganhou serviços de acolhimento

Nos últimos 12 meses, a Rodoviária do Plano Piloto também recebeu novos serviços voltados ao acolhimento. Entre eles estão uma sala multissensorial para pessoas com Transtorno do Espectro Autista, fraldário, espaço de suporte emocional e sala de amamentação.

A sala de amamentação foi instalada no banheiro feminino do piso inferior após solicitação do GDF, por meio da Secretaria de Justiça e Cidadania. O espaço conta com pia, chuveirinho, trocador, micro-ondas e assentos, com objetivo de oferecer mais conforto e privacidade às mães antes ou depois do embarque.

Esses serviços ajudam a transformar o terminal em mais do que ponto de passagem. Em uma rodoviária por onde circulam centenas de milhares de pessoas por dia, acolhimento não é luxo. É infraestrutura humana.

Aprovação alta aumenta responsabilidade da fiscalização

O salto de aprovação é relevante e indica que a concessão produziu resultados visíveis no primeiro ano. Segurança, acessibilidade, limpeza, organização e formalização do comércio aparecem como mudanças sentidas por quem usa o terminal.

Mas a boa avaliação também eleva a responsabilidade da Semob e da própria concessionária. Concessão pública não se mede só pela foto da entrega, e sim pela repetição diária do serviço. Escada rolante precisa funcionar amanhã. Banheiro precisa permanecer limpo depois da inauguração. Câmera precisa respeitar finalidade pública. Comércio formal precisa conviver com circulação segura. E o usuário precisa ter canal real para reclamar quando o padrão cair.

A Rodoviária do Plano Piloto é o coração da mobilidade do DF. Se melhora, a cidade inteira sente. Se volta ao abandono, o prejuízo também se espalha rápido. O primeiro ano mostra avanço; os próximos dirão se a concessão virou padrão de gestão ou apenas lua de mel administrativa.

A população pode enviar sugestões, elogios ou críticas à administradora pelo e-mail ouvidoria.rodoviaria@rzkconcessoes.com.br.

Relacionadas, fontes e documentos:

Roubos em ônibus caem 52% e mudam rotina no DF (Fonte em Foco)
Consumidor do DF ganha canal direto de denúncia (Fonte em Foco)
26 de Setembro entra na reta final para virar RA (Fonte em Foco)
Operação Unitas reforça policiamento na Asa Norte (Fonte em Foco)
– Modernização e segurança marcam o primeiro ano de concessão da Rodoviária do Plano Piloto (Agência Brasília)
– Concessão da Rodoviária do Plano Piloto (GDF)

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