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terça-feira, 12 maio 2026, 17:46:40
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Lula e Trump abrem nova fase entre Brasil e EUA

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Encontro de Lula e Trump sinaliza avanço em comércio, tarifas e segurança

O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, abriu uma nova etapa de diálogo entre Brasil e Estados Unidos em meio a uma relação marcada por tensão comercial, disputa tarifária e interesses estratégicos em segurança e minerais críticos.

A reunião durou cerca de três horas, teve conversa reservada e almoço de trabalho. O tempo dedicado ao encontro foi recebido de forma positiva pelo governo brasileiro, sobretudo porque a agenda foi além do gesto diplomático e avançou para temas que afetam diretamente comércio, indústria, segurança pública e relações bilaterais.

Trump afirmou, em publicação na Truth Social, que a reunião com Lula foi “muito produtiva”. O presidente norte-americano disse que os dois discutiram vários assuntos, com destaque para comércio e tarifas. Também informou que representantes dos dois governos já têm reuniões marcadas para tratar de pontos-chave e que novos encontros deverão ocorrer nos próximos meses, se necessário.

Lula também classificou o encontro como produtivo em publicação nas redes sociais. A convergência pública no tom dos dois presidentes reforça a leitura de que, pelo menos no campo diplomático, Brasil e Estados Unidos tentam trocar o confronto aberto por uma mesa de negociação mais estável.

Tarifas seguem no centro da conversa

O principal ponto de pressão continua sendo a política tarifária dos Estados Unidos. Desde 2025, a relação comercial entre os dois países atravessa uma fase de instabilidade, provocada por medidas protecionistas adotadas pelo governo Trump contra produtos brasileiros.

O Brasil foi afetado por tarifas sobre exportações, especialmente em setores como aço e alumínio. Além disso, a disputa ganhou contornos políticos após críticas do governo norte-americano a decisões do Judiciário brasileiro relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

No encontro anterior, realizado na Malásia, em outubro de 2025, Lula pediu a suspensão de tarifas e sanções. À época, a conversa terminou sem anúncio de revogação imediata, mas abriu uma fase de negociação entre as equipes dos dois países.

Agora, o tom mudou. A reunião em Washington não encerra a disputa, mas cria uma janela de negociação mais promissora. Em diplomacia, isso não é pouco. Às vezes, o avanço começa quando os dois lados param de discursar para a plateia e passam a olhar para a planilha.

Comitiva mostra peso estratégico da agenda

A presença de ministros nas discussões a portas fechadas indica que o encontro foi desenhado para tratar de temas concretos. Pelo lado brasileiro, acompanharam Lula os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores; Márcio Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Alexandre Silveira, de Minas e Energia; Wellington Silva, da Justiça; e Dário Durigan, da Fazenda.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, viajou aos Estados Unidos, mas não participou da reunião na Casa Branca. A informação repassada é que sua ausência no encontro buscou manter equilíbrio entre as representações dos dois países.

Pelo lado norte-americano, participaram o vice-presidente JD Vance, os secretários Scott Bessent, do Tesouro, e Howard Lutnick, do Comércio, a chefe de gabinete Susie Wiles e o representante comercial Jamieson Greer. A composição mostra que Washington tratou o encontro como pauta econômica, comercial e estratégica, não apenas como visita protocolar.

Segurança pública amplia espaço na relação bilateral

Além das tarifas, Brasil e Estados Unidos discutiram cooperação no combate ao crime organizado. Em abril, os dois países anunciaram uma parceria entre a Receita Federal e a agência norte-americana U.S. Customs and Border Protection para enfrentar o tráfico internacional de armas e drogas.

A cooperação prevê compartilhamento digital e constante de informações sobre apreensões feitas nas aduanas dos dois países. O objetivo é identificar padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.

Esse tema tem impacto direto no Brasil. O tráfico internacional de armas abastece facções, pressiona forças de segurança e aprofunda a violência em cidades brasileiras. Quando a rota passa pela fronteira, pelo porto ou pelo contêiner, a resposta também precisa atravessar fronteiras.

Minerais críticos entram no jogo geopolítico

A pauta de minerais críticos também esteve entre os temas de interesse. O assunto ganhou peso internacional porque envolve tecnologia, energia, defesa, indústria e cadeias globais de suprimento.

Para o Brasil, esse é um campo de oportunidade e cautela. O país tem ativos naturais relevantes, mas precisa evitar repetir o velho roteiro de exportar matéria-prima barata e importar dependência cara. O verdadeiro valor está em transformar riqueza mineral em política industrial, tecnologia e emprego qualificado.

Para os Estados Unidos, minerais críticos fazem parte de uma estratégia de segurança econômica. Portanto, a conversa com o Brasil também deve ser lida dentro da disputa global por suprimentos menos dependentes da China.

Relação melhora, mas resultado ainda depende de negociação

O encontro desta quinta-feira indica melhora no ambiente político entre os dois governos. Não houve, porém, anúncio de acordo final sobre tarifas, nem declaração conjunta na Casa Branca. A expectativa inicial era que Lula e Trump falassem à imprensa no Salão Oval, mas o plano foi alterado.

A ausência de anúncio imediato não diminui a relevância do encontro. Ao contrário, mostra que a pauta é complexa e exige costura técnica. Relações internacionais não se resolvem no improviso. Quando envolvem tarifa, sanção, segurança e indústria, cada palavra pode custar caro.

Nova fase exige entrega além do gesto político

O saldo inicial é positivo porque os dois presidentes reconheceram publicamente a produtividade do encontro e autorizaram novas conversas entre representantes dos governos. Esse é o primeiro passo para reduzir ruídos acumulados desde 2025.

No entanto, a prova real virá depois da foto. Para o Brasil, o avanço só será concreto se houver redução de barreiras, preservação de exportações, abertura de canais estáveis e proteção de interesses nacionais.

A reunião entre Lula e Trump não apaga as divergências. Mas cria uma nova rota para administrá-las. Em tempos de tarifa alta e diplomacia nervosa, sentar por três horas e sair falando em continuidade já é, no mínimo, um sinal de que a ponte não caiu. Agora falta saber quanto peso ela aguenta.

Fontes e documentos:

Alckmin aposta no diálogo para destravar relação com EUA (Fonte em Foco)
– Brazil’s Lula visits Trump in Washington seeking to avert new US trade tariffs (Reuters)
– Trump will host Brazilian president for talks on economy and security, a White House official says (Associated Press)
– Brazil’s Lula to discuss tariffs with Trump in Washington, minister says (Reuters)
Brasil e Estados Unidos fortalecem cooperação estratégica no combate ao tráfico internacional de armas e drogas (Ministério da Fazenda)
Brasil e EUA anunciam acordo de combate ao tráfico de armas e drogas (Agência Brasil)

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