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terça-feira, 12 maio 2026, 17:46:57
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Pobres mais pobres e ricos mais ricos

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Desigualdade sobe em 2025, mas segue perto do menor nível da série

A desigualdade de renda no Brasil voltou a subir em 2025, embora permaneça abaixo dos patamares registrados antes da pandemia. Os 10% mais ricos tiveram rendimento médio mensal de R$ 9.117 por pessoa, valor 13,8 vezes maior que o recebido pelos 40% mais pobres, cuja renda média foi de R$ 663.

O dado exige leitura cuidadosa. A distância entre ricos e pobres aumentou em relação a 2024, quando era de 13,2 vezes, mas ainda representa o segundo menor nível da série histórica iniciada em 2012. Ou seja, o país melhorou quando comparado ao período pré-pandemia, mas a ferida continua aberta. Menor desigualdade não é sinônimo de baixa desigualdade. É apenas um pouco menos de abismo.

Os números fazem parte da Pnad Contínua, divulgada nesta sexta-feira (8) pelo IBGE. A pesquisa considera todas as fontes de rendimento das famílias, como salários, aposentadorias, pensões, benefícios sociais, aluguéis, aplicações financeiras, seguro-desemprego, bolsas de estudo e outras receitas. O total é dividido pelo número de moradores do domicílio.

Ricos avançaram mais no último ano

A diferença entre os grupos aumentou porque a renda dos 10% mais ricos cresceu 8,7% em 2025, já descontada a inflação. Entre os 40% mais pobres, a alta foi menor, de 4,7%. O resultado fez a distância voltar a crescer depois da melhora registrada em 2024.

Na série recente, a relação entre os rendimentos foi de 16,9 vezes em 2019, 14,8 em 2020, 17,0 em 2021, 14,3 em 2022, 14,3 em 2023, 13,2 em 2024 e 13,8 em 2025. A trajetória mostra uma queda importante desde o período anterior à pandemia, mas também revela que a melhora não é linear.

O Índice de Gini, outro indicador usado para medir desigualdade, também subiu levemente. Ele passou de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025. Quanto mais próximo de 1, maior a concentração de renda. Apesar da alta, o índice de 2025 segue inferior ao de 2019, quando estava em 0,543.

Pobres melhoraram mais desde 2019

A fotografia de 2025 mostra aumento da distância no curto prazo. No entanto, o filme dos últimos seis anos revela uma mudança mais ampla. Desde 2019, os 40% mais pobres tiveram alta real de 37,6% nos rendimentos, enquanto os 10% mais ricos avançaram 11,9%.

Entre os 10% mais pobres, o crescimento foi ainda mais expressivo. A renda média mensal desse grupo passou de R$ 150 para R$ 268, uma alta de 78,7% entre 2019 e 2025.

O desempenho foi associado à melhora do mercado de trabalho, à política de valorização do salário mínimo e à ampliação de programas sociais. A partir de 2020, com a pandemia de covid-19, o governo federal ampliou o alcance e o valor de benefícios de transferência de renda, em diferentes formatos e nomes ao longo dos anos.

Ainda assim, o ponto central permanece: crescer a renda dos mais pobres é necessário, mas não basta quando a concentração no topo segue muito alta. O Brasil não é um país pobre apenas porque falta renda na base. É também desigual porque sobra concentração no alto.

Rendimento médio das famílias bate recorde

A pesquisa também mostra que o rendimento médio mensal real domiciliar per capita chegou a R$ 2.264 em 2025, o maior valor da série. O crescimento foi de 6,9% em relação a 2024 e de 18,9% na comparação com 2019.

O rendimento médio mensal real de todas as fontes da população com renda alcançou R$ 3.367, também o maior patamar da série histórica. Já o rendimento médio recebido habitualmente de todos os trabalhos chegou a R$ 3.560, com alta de 5,7% em relação ao ano anterior.

Esses dados indicam melhora geral da renda, especialmente puxada pelo trabalho. A massa de rendimento mensal real de todos os trabalhos atingiu R$ 361,7 bilhões, maior valor da série, com crescimento real de 7,5% frente a 2024.

O avanço é relevante porque renda do trabalho é a principal fonte de sustentação das famílias. Mas o recorde não elimina a pergunta incômoda: quem ficou com a maior parte da melhora? Em 2025, os 10% mais ricos detinham 40,3% de toda a massa de rendimentos domiciliares, fatia superior à dos 70% mais pobres somados.

Norte e Nordeste seguem abaixo da média

A desigualdade brasileira também tem endereço. Entre os 40% mais pobres, o rendimento familiar médio mensal foi de R$ 663 por pessoa no país. No Sul, esse valor chegou a R$ 978. No Centro-Oeste, ficou em R$ 846. No Sudeste, em R$ 842.

Já o Nordeste registrou R$ 449, e o Norte, R$ 490. Esses números mostram que a renda baixa pesa mais em regiões historicamente marcadas por menor dinamismo econômico, informalidade e acesso desigual a serviços públicos.

Por unidade da Federação, o Distrito Federal apresentou a maior distância entre os rendimentos dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres, com relação de 19,7 vezes. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com 16,4 vezes, e Rio Grande do Norte, com 16,3 vezes.

As menores disparidades foram observadas em Mato Grosso, com 9,1 vezes, e Santa Catarina, com 8,4 vezes. São Paulo, maior economia do país, registrou relação de 11,9 vezes, ficando entre os estados com menor disparidade relativa.

Benefícios sociais alcançam 18 milhões de domicílios

Em 2025, 22,7% das famílias brasileiras, o equivalente a 18 milhões de domicílios, recebiam algum benefício social de governo federal, estadual ou municipal. O dado revela a extensão da política de transferência de renda no orçamento doméstico de uma parcela expressiva da população.

O rendimento médio domiciliar per capita nos lares que recebiam Bolsa Família foi de R$ 774, menos de 30% da renda média dos domicílios sem esse benefício, que chegou a R$ 2.682. Considerando todos os domicílios com algum programa social, a renda média foi de R$ 886, enquanto os lares sem programa social registraram R$ 2.787.

Esses números ajudam a corrigir uma leitura rasa. Benefício social não torna a família “privilegiada”. Ao contrário, os dados mostram que ele chega justamente a domicílios com renda muito inferior à média. Em muitos casos, é a diferença entre alguma estabilidade mínima e a insegurança completa.

Brasil melhora, mas ainda convive com abismo social

A pesquisa confirma duas verdades ao mesmo tempo. A primeira é que a renda cresceu, o trabalho ganhou força e a desigualdade recuou quando comparada aos anos anteriores à pandemia. A segunda é que o país continua profundamente desigual.

A leve alta de 2025 não deve ser tratada como mudança definitiva de tendência, mas também não pode ser ignorada. Ela mostra que a redução da desigualdade exige continuidade, política pública bem calibrada e crescimento econômico capaz de chegar à base da pirâmide.

O Brasil avançou quando os mais pobres ganharam mais renda desde 2019. Porém, o topo voltou a acelerar em 2025. É nesse descompasso que mora o desafio. Quando a economia cresce e o ganho se concentra demais, o país melhora na média, mas continua tropeçando na distribuição.

A renda recorde é boa notícia. A desigualdade ainda alta é o freio. O retrato de 2025 mostra um Brasil que subiu alguns degraus, mas ainda carrega uma escada muito inclinada.

Fontes e documentos:

Mercosul terá comércio mais rápido e menos papel (Fonte em Foco)
Move Brasil libera crédito para renovar frota pesada (Fonte em Foco)
– Novo Desenrola alivia, mas não corrige hábitos financeiros (Fonte em Foco)
Desenrola deve aliviar juros de quem paga em dia (Fonte em Foco)
Tarifa zero pode liberar R$ 45,6 bi no país (Fonte em Foco)
– Rendimento médio da população brasileira atinge R$ 3.367 em 2025 (IBGE)
– Rendimento dos mais ricos é 13,8 vezes maior que o dos mais pobres (CUT)

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