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PF prende pai de Vorcaro em nova fase da Compliance Zero

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Operação mira suspeita de intimidação e vazamento de dados

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, 14 de maio, o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero. A ofensiva cumpre sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, por ordem do Supremo Tribunal Federal.

Compliance Zero chega à 6ª fase

Segundo a Polícia Federal, a nova fase busca aprofundar as investigações sobre uma organização criminosa suspeita de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos. Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e medidas de sequestro e bloqueio de bens.

Os crimes investigados incluem ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. Agentes da própria PF estão entre os alvos da operação, ponto que amplia a gravidade institucional da investigação e exige apuração rigorosa dentro da própria estrutura de Estado.

Investigação envolve o entorno do Banco Master

A operação ocorre no contexto das apurações relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro, que está preso desde março. A investigação ganhou novas fases nos últimos meses e passou a alcançar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e atuação de pessoas que teriam auxiliado o grupo investigado.

Na 5ª fase, deflagrada em 7 de maio, a PF cumpriu dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária no Piauí, em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Na ocasião, a Justiça também autorizou bloqueio de bens, direitos e valores no montante de R$ 18,85 milhões.

Caso já teve bloqueio bilionário de bens

Antes da fase desta quinta-feira, a Compliance Zero já havia resultado em prisões e bloqueios patrimoniais de grande volume. Em abril, a investigação alcançou o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso em fase anterior da operação, em apuração sobre suspeitas ligadas a transações entre o banco público do DF e o Banco Master. A Reuters registrou que a investigação envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.

Nas primeiras fases, a PF cumpriu dezenas de mandados em diferentes unidades da Federação, e a Justiça determinou bloqueio ou sequestro de bens de investigados até o limite de R$ 27,7 bilhões, segundo informações divulgadas sobre a investigação. Esse volume mostra que o caso deixou de ser apenas uma apuração bancária e passou a tocar pontos sensíveis de governança, fiscalização financeira e possível captura de agentes públicos.

Quando a investigação mira quem deveria proteger o sigilo

A presença de agentes da PF entre os alvos torna esta fase especialmente delicada. A suspeita de violação de sigilo funcional atinge o coração da confiança institucional, porque investigações dependem de dados protegidos, acesso controlado e integridade de servidores públicos. Quando a apuração precisa olhar para dentro da própria polícia, o recado é desconfortável, mas necessário: nenhuma corporação pode investigar o país inteiro e deixar seus próprios porões sem luz.

Ainda assim, é preciso separar investigação de condenação. Os alvos têm direito à defesa, e as responsabilidades individuais dependerão da análise das provas pelo Judiciário. O que já se pode afirmar, com base na própria operação, é que a Compliance Zero avançou para uma camada que envolve suspeita de intimidação, vazamento de informações e uso indevido de estruturas de poder. Se comprovado, o problema não será apenas financeiro. Será institucional.

Banco, política e polícia no mesmo tabuleiro

O caso também expõe uma fronteira crítica entre sistema financeiro, influência política, órgãos de controle e segurança pública. Investigações dessa natureza não se encerram com prisões preventivas ou apreensões vistosas. O teste real será demonstrar se as provas sustentam denúncias consistentes, responsabilização proporcional e recuperação de valores eventualmente desviados ou ocultados.

A sociedade precisa de mais do que nomes conhecidos no noticiário. Precisa saber se houve fraude, quem participou, quem facilitou, quem se beneficiou e como os controles falharam. O escândalo só vira resposta pública quando sai da manchete e chega à prestação de contas. Até lá, a operação abre mais uma porta. O que há atrás dela ainda precisa ser provado.

Fontes e documentos:

– PF mira facções em operação nacional com 236 mandados (Fonte em Foco)
– Mendonça cobra delação efetiva no caso Master (Fonte em Foco)
– Delação de Vorcaro pode ampliar caso Banco Master (Fonte em Foco)
– PF prende ex-presidente do BRB em nova fase da operação (Fonte em Foco)
– BRB pede ao STF reserva de valores para cobrir perdas no caso Master (Fonte em Foco)
– PF deflagra 6ª fase da Operação Compliance Zero (Polícia Federal)
– Pai de Daniel Vorcaro é preso na 6ª fase da operação Compliance Zero (Agência Brasil)
– Brazil arrests former BRB head in Banco Master probe, sources say (Reuters)

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