Publicidade
InícioBrasilEconomiaMercado espera corte da Selic para 13,75% nesta semana

Mercado espera corte da Selic para 13,75% nesta semana

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

Cobertura relacionada

Inflação cai a 0,32%, mas alimentos sobem em outubro

IPCA-15 desacelera para 0,32% em outubro, mas tomate, cebola e arroz pressionam os preços. Inflação em 12 meses supera 4,5% e chega a 4,62%.

Mercado eleva previsão da inflação para 5,22% em 2026

Boletim Focus mostra quarta alta seguida na projeção do IPCA de 2026, manutenção do PIB em 1,85% e queda da estimativa da Selic.

Focus reduz IPCA 2026 para 3,97% e mantém PIB em 1,8%

Boletim Focus reduz projeção do IPCA de 2026 para 3,97%. Mercado mantém PIB em 1,8% e vê Selic em 12,25% no fim do ano.

Mercado reduz projeção de inflação para 5,16% em 2026

Inflação 2026 recua para 5,16%, mas permanece acima da meta. Entenda as previsões do mercado para juros, PIB e câmbio.

Pix por aproximação fica sem teto fixo

Banco Central retira limite fixo de R$ 500 do Pix por aproximação, mas operações seguem sujeitas aos limites e à segurança da conta.

IPCA desacelera para 0,07% em julho com queda dos alimentos

IPCA de julho avançou 0,07% e acumulou 4,44% em 12 meses. Alimentos caíram, enquanto a energia elétrica ficou mais cara, em média, no país.
Publicidade

Corte esperado não é decisão tomada

O mercado financeiro espera que o Comitê de Política Monetária reduza a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião desta semana. A taxa básica está em 14% ao ano e, se a expectativa se confirmar, cairá para 13,75%. A projeção aparece no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (14), que também mostra queda na estimativa de inflação de 2026, menor previsão para o PIB e estabilidade na cotação do dólar ao fim do ano.

A expectativa do mercado é de novo corte de 0,25 ponto percentual, mas a decisão cabe ao Copom. O colegiado se reúne nos dias 15 e 16 de setembro para definir a taxa básica de juros, que serve de referência para operações de crédito, investimentos, financiamento da dívida pública e controle da inflação.

O Focus mostra que os analistas esperam a Selic em 13,75% no fim de 2026. Isso indica que, para o mercado, o corte desta semana pode deixar a taxa no patamar projetado para o encerramento do ano, sem necessariamente abrir espaço para uma sequência adicional de reduções imediatas.

Na reunião de agosto, o Copom reduziu a Selic para 14% ao ano. O Banco Central informou que a decisão foi compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta, mas manteve tom de cautela diante das incertezas do cenário econômico.

Inflação projetada cai para 4,90%

A projeção para o IPCA de 2026 caiu de 5% para 4,90% em uma semana. Há quatro semanas, a estimativa estava em 5,02%, o que mostra uma sequência de alívio nas expectativas, ainda que o número continue acima do centro da meta.

A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, isso coloca a faixa entre 1,5% e 4,5%; portanto, a projeção de 4,90% ainda indica inflação acima do teto da meta, mesmo com a melhora recente.

O dado mais recente do IPCA ajudou a reforçar a expectativa de corte. Em agosto, a inflação oficial ficou em -0,32%, menor taxa mensal desde agosto de 2022, com influência de quedas na conta de luz, alimentos e transportes; em 12 meses, o índice acumulou 4,22%.

PIB perde fôlego nas projeções

A estimativa de crescimento da economia brasileira em 2026 caiu para 1,89%. Na semana anterior, o mercado projetava avanço de 1,93%; há quatro semanas, a previsão era de 1,98%. A trajetória sugere uma leitura mais cautelosa sobre o ritmo da atividade econômica.

Para 2027, a projeção do Focus aponta crescimento de 1,45% do PIB. A inflação esperada para o ano que vem ficou em 4,30%, o que mantém o Banco Central diante de uma combinação conhecida: atividade mais lenta, mas expectativas de preços ainda resistentes.

Juro alto ajuda a conter inflação, mas também pesa sobre a economia real. Crédito mais caro tende a desestimular consumo, investimentos e financiamentos; quando a atividade perde força, cresce a pressão para reduzir juros sem reacender a inflação.

Dólar segue projetado em R$ 5,20

A projeção para o dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20. Segundo o levantamento divulgado nesta segunda-feira, essa cotação vem sendo mantida há 13 semanas consecutivas, sinal de estabilidade na mediana das expectativas para o câmbio.

O câmbio importa porque entra no preço de produtos importados, combustíveis, insumos industriais e alimentos comercializados no mercado internacional. Quando o dólar sobe de forma persistente, parte dessa pressão pode chegar ao consumidor; quando fica mais estável, reduz uma fonte de incerteza para inflação e empresas.

Números centrais da semana

Selic
A taxa está em 14% ao ano, e o mercado espera corte para 13,75%. A projeção também aponta Selic em 13,75% no fim de 2026, o que sugere cautela com novos cortes depois da reunião desta semana.

Inflação
A estimativa para o IPCA de 2026 caiu para 4,90%. O número melhorou em relação à semana anterior, mas ainda fica acima do teto da meta de inflação.

PIB
A previsão de crescimento para 2026 recuou para 1,89%. O dado indica perda de ritmo na leitura do mercado sobre a atividade econômica brasileira.

Dólar
A cotação projetada para o fim de 2026 segue em R$ 5,20. A estabilidade da previsão reduz ruído, mas não elimina riscos externos e políticos.

2027
O mercado projeta PIB de 1,45% e IPCA de 4,30% no próximo ano. A combinação aponta para crescimento moderado e inflação ainda acima do centro da meta.

Oriente Médio ainda pesa no cálculo dos juros

O alívio recente da inflação não elimina os riscos do cenário internacional. A guerra no Oriente Médio voltou a pressionar petróleo, combustíveis e cadeias globais, fatores que podem chegar aos preços no Brasil e dificultar cortes mais rápidos da Selic.

Esse é o ponto de tensão para o Banco Central. Se a inflação desacelera e o PIB perde força, há espaço para reduzir juros; se combustíveis, alimentos ou câmbio voltam a pressionar, o corte precisa ser mais cuidadoso para não desancorar expectativas.

O que muda para o cidadão

A Selic não aparece no extrato do supermercado, mas influencia o custo da vida por caminhos indiretos. Ela afeta juros de empréstimos, financiamentos, cartão de crédito, rendimento de aplicações, decisões de empresas e ritmo de consumo.

Para famílias endividadas, juros menores podem aliviar parte do custo do crédito, mas não de forma automática. Bancos e financeiras repassam a queda em ritmos diferentes, e dívidas antigas nem sempre ficam mais baratas sem renegociação.

Para quem investe, Selic menor também muda a conta. Aplicações conservadoras continuam rendendo, mas a remuneração tende a cair conforme os juros recuam; ao mesmo tempo, crédito menos caro pode estimular atividade econômica e consumo.

A queda esperada dos juros ainda carrega freio de mão puxado

O mercado quer ver a Selic menor, mas ainda não vê inflação plenamente resolvida. A projeção de 4,90% para o IPCA melhora a fotografia, só que continua acima do teto da meta; o PIB mais fraco pede alívio, mas o cenário externo lembra que combustível e câmbio podem virar problema rápido.

Esse é o dilema do Copom nesta semana. Cortar 0,25 ponto percentual parece compatível com a leitura dominante do mercado, mas acelerar demais poderia comprometer a confiança na convergência da inflação. Manter juros altos por tempo excessivo, por outro lado, aperta crédito, consumo e investimento.

A decisão, portanto, não será apenas sobre 14% ou 13,75%. Será sobre o quanto o Banco Central acredita que a inflação está cedendo de forma consistente — e o quanto ainda precisa manter a economia em marcha lenta para garantir que essa queda não seja apenas uma trégua passageira.

Relacionadas, fontes e documentos:

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.