Famílias não precisam esperar 24 horas para comunicar desaparecimento de crianças
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal lança, nesta segunda-feira, 25 de maio, a campanha Reencontrar, voltada à prevenção e à resposta rápida em casos de desaparecimento de crianças e adolescentes. A principal orientação às famílias é direta: não é necessário esperar 24 horas para registrar ocorrência. O comunicado deve ser feito imediatamente à Polícia Civil, pelo telefone 197, pela Delegacia Eletrônica ou em uma delegacia física.
Reencontrar começa em escola de Ceilândia
O lançamento será realizado às 10h, no Colégio Cívico-Militar CED 07 de Ceilândia. A programação prevê palestras educativas, orientações sobre autoproteção, distribuição de materiais informativos e mobilização da comunidade escolar sobre o que fazer diante do desaparecimento de uma criança ou adolescente.
A atividade deve reunir cerca de 700 alunos, além de professores, pais, gestores escolares e autoridades da segurança pública. Ao longo da semana, equipes da SSP-DF também farão palestras em escolas de gestão compartilhada em diferentes regiões administrativas.
A escolha do ambiente escolar é estratégica. Crianças e adolescentes precisam saber reconhecer situações de risco, mas famílias e educadores também precisam conhecer o procedimento correto. Em desaparecimento, o primeiro erro costuma ser esperar. E espera, nesse caso, não é prudência: é perda de tempo precioso.
Decreto criou política distrital para desaparecidos
A campanha marca o Dia Distrital das Crianças Desaparecidas e o início da Semana de Mobilização Distrital para Busca e Defesa da Criança Desaparecida, previstos na política distrital instituída pelo Decreto nº 47.653/2025. A norma criou a Política Distrital de Atenção Humanizada ao Desaparecimento de Pessoas.
O decreto define pessoa desaparecida como todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, independentemente da causa, até que sua localização e identificação sejam confirmadas por meios físicos ou científicos. Também estabelece diretrizes de prevenção, enfrentamento, proteção, assistência a familiares e uso de tecnologias aplicadas à busca.
A SSP-DF é apontada como coordenadora da rede de proteção, articulação, monitoramento e avaliação das ações da política distrital. A pasta também exerce função de autoridade central estadual para consolidar informações e definir diretrizes de busca no DF.
Registro imediato aumenta chance de localização
A orientação oficial da SSP-DF é que o desaparecimento seja comunicado assim que a família perceber algo fora da rotina. Isso vale, por exemplo, quando a criança ou adolescente não retorna no horário habitual, deixa de informar paradeiro ou não há explicação compatível com o comportamento esperado.
O registro pode ser feito em uma delegacia, pela Delegacia Eletrônica ou pelo telefone 197. Para crianças e adolescentes, a resposta deve ser ainda mais rápida, porque a vulnerabilidade é maior e as primeiras horas são fundamentais para acionar redes de busca, verificar imagens, ouvir testemunhas e identificar trajetos.
A campanha acerta ao combater o mito das 24 horas. Essa falsa espera atravessa gerações como conselho de corredor, mas não tem utilidade pública. Quando uma criança some, o relógio não é burocrático. É humano.
Rede integrada deve evitar busca isolada
O desaparecimento de uma criança não atinge apenas a família. Ele mobiliza escola, vizinhança, transporte, saúde, assistência social, conselhos tutelares, segurança pública e comunicação comunitária. Por isso, a política distrital prevê articulação entre órgãos públicos, instituições e sociedade civil.
A SSP-DF também elaborou o Plano de Ação Integrado de Atenção Humanizada ao Desaparecimento de Pessoas, em cooperação com o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e com instituições da Rede de Atenção Humanizada ao Desaparecimento de Pessoas.
Essa integração é essencial para que a família não fique sozinha, repetindo informações em órgãos diferentes, enquanto o tempo passa. Em desaparecimento, rede que não conversa também desaparece com a eficiência.
Prevenção precisa chegar às famílias
A campanha Reencontrar terá papel educativo. Entre as medidas preventivas que devem ser reforçadas estão orientação sobre rotas seguras, cuidado com abordagens de desconhecidos, uso responsável de redes sociais, atenção a mudanças de comportamento e informação clara sobre a quem recorrer em caso de risco.
Também é importante que responsáveis mantenham fotos recentes, dados de identificação, contatos atualizados da escola e informações sobre rotina, amizades, trajetos e possíveis locais de circulação da criança ou adolescente. Esses elementos podem ajudar a polícia nas primeiras horas da busca.
A prevenção, porém, não deve virar culpa sobre a família. Desaparecimentos podem ocorrer por diferentes causas, inclusive conflitos familiares, violência, aliciamento, fuga, acidente ou crime. O dever do Estado é acolher, investigar e agir com rapidez, sem julgamento automático.
O que fazer em caso de desaparecimento
A família deve procurar imediatamente a Polícia Civil pelo 197, pela Delegacia Eletrônica ou pela delegacia mais próxima. Também deve reunir foto atual, documentos, descrição física, roupa usada no momento do desaparecimento, locais frequentados, contatos recentes e qualquer informação que ajude a reconstruir os últimos passos.
Além disso, a escola deve ser comunicada rapidamente quando o desaparecimento envolver estudante. Familiares também podem acionar Conselho Tutelar e rede de proteção, especialmente quando houver indício de risco, violência, aliciamento ou vulnerabilidade.
O ponto decisivo é não esperar. Em desaparecimento infantil, cada hora tem valor. A Campanha Reencontrar nasce para repetir o que precisa virar reflexo social: notou o sumiço, comunique. A busca começa quando a dúvida aparece, não quando a angústia completa 24 horas.
Relacionadas, fontes e documentos:
– Saúde mental de crianças ganha reforço no SUS (Fonte em Foco)
– Além do Olhar, alunos do DF terão exames de visão (Fonte em Foco)
– Pré-eclâmpsia exige alerta no pré-natal de gestantes (Fonte em Foco)
– Brasil padroniza combate à violência sexual infantil (Fonte em Foco)
– DF terá campanha de prevenção ao desaparecimento de crianças e adolescentes (Agência Brasília)
– Decreto nº 47.653, de 2 de setembro de 2025 (SINJ-DF)
– Pessoas Desaparecidas (SSP-DF)
– Plano de Ação Integrado de Atenção Humanizada ao Desaparecimento de Pessoas no DF (SSP-DF)

