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Emprego formal cresce, mas renda média recua

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Brasil fecha 2025 com 59,9 milhões de empregos formais

O Brasil encerrou 2025 com 59,971 milhões de trabalhadores em empregos formais, alta de 5% em relação a 2024. O avanço mostra um mercado de trabalho mais aquecido, com expansão em todos os grandes setores econômicos. No entanto, a remuneração média caiu 0,5%, para R$ 4.434,38, sinal de que mais vínculo formal não significou, automaticamente, ganho real no bolso do trabalhador.

Serviços lideram estoque de empregos formais

Os dados constam da Relação Anual de Informações Sociais, divulgada nesta quarta-feira, 13 de maio, pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Do total de vínculos formais, 46,128 milhões eram celetistas, 12,657 milhões estatutários e 1,186 milhão estavam em outras modalidades, como organizações sem fins lucrativos, sindicatos e pessoa física rural.

O setor de Serviços concentrou o maior estoque de empregos, com 35,695 milhões de vínculos e alta de 7,2% sobre 2024. Em seguida vieram o Comércio, com 10,487 milhões de postos e crescimento de 1,7%, a Indústria, com 9,017 milhões e alta também de 1,7%, a Construção, com 2,57 milhões e avanço de 2,5%, e a Agropecuária, com 1,812 milhão e crescimento de 1,6%.

Administração pública puxa alta nos serviços

Dentro dos serviços, a administração pública teve crescimento expressivo no número de empregos formais, com alta de 15,2%. O avanço ficou concentrado principalmente nos municípios, com aumento de 18,2%, e nos governos estaduais, com 10,3%. Também houve crescimento na Educação, com acréscimo de 212.611 vínculos, e na Saúde humana, com mais 142.598 vínculos.

O número de estabelecimentos com empregados também aumentou, passando de 4,7 milhões para 4,8 milhões, alta de 2,1%. Esse dado reforça que a formalização avançou não apenas no total de trabalhadores, mas também na quantidade de empregadores registrados. Ainda assim, a queda da remuneração média mostra que o mercado criou ou manteve mais postos, mas sem transformar esse movimento em melhora salarial generalizada.

Nordeste e Norte lideram crescimento relativo

Entre as regiões, o crescimento relativo foi mais forte no Nordeste e no Norte, ambos com alta de 10,1% no estoque de empregos formais. O Nordeste criou 1.076.603 vínculos, enquanto o Norte somou 354.753. O Centro-Oeste cresceu 5,7%, com 322.513 vínculos adicionais. Já Sudeste e Sul avançaram 2,9% cada, com aumentos absolutos de 807.240 e 285.514 vínculos, respectivamente.

A distribuição do emprego formal, porém, continua concentrada. O Sudeste respondeu por 47,4% dos vínculos formais do país, seguido pelo Nordeste, com 19,5%, e pelo Sul, com 16,8%. Entre os estados, os maiores crescimentos relativos ocorreram no Amapá, Piauí, Alagoas e Paraíba. Em números absolutos, os maiores avanços foram registrados em São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Ceará.

Mais emprego formal não encerra o debate sobre renda

O resultado da Rais é positivo porque emprego formal significa carteira, contribuição previdenciária, direitos trabalhistas e maior previsibilidade para milhões de famílias. É diferente de sobreviver no improviso, que pode até parecer liberdade no discurso, mas costuma virar insegurança no fim do mês.

Ainda assim, a queda da remuneração média impede comemoração sem rodapé. O mercado formal cresceu, mas a qualidade desse crescimento precisa ser observada com cuidado. Se o trabalhador entra ou permanece registrado, mas ganha menos em média, o país melhora uma parte da fotografia e mantém outra em baixa resolução. O desafio agora é combinar formalização, produtividade, investimento e salários melhores. Emprego conta. Renda decide.

Fontes e documentos:

– Governo zera taxa das blusinhas em compras até US$ 50 (Fonte em Foco)
– Pobres mais pobres e ricos mais ricos (Fonte em Foco)
– Alimentos puxam inflação e pesam no orçamento (Fonte em Foco)
– Lei muda rótulos e exige mais cacau nos chocolates (Fonte em Foco)
– Brasil fecha 2025 com aumento de 5% no estoque de empregos (Agência Brasil)
– Relação Anual de Informações Sociais (Ministério do Trabalho e Emprego)

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